Diálogos orientados/desorientados pela teoria queer

por uma prática educativa para além da norma no âmbito da arqueologia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v13i1.8654760

Palavras-chave:

Educação em museus, Arqueologia brasileira, Mediação

Resumo

Este artigo aproxima a teoria queer das ações educativas, direcionadas à arqueologia, desenvolvidas no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, com o objetivo de se engajar com posturas menos normatizadas e abertas ao acolhimento de repertórios de diferentes públicos. Busca-se tensionar as interpretações arqueológicas e suas ressonâncias com as questões contemporâneas, principalmente com corpos e identidades silenciadas. Desde 2018, o Educativo da instituição tem lidado com o desafio da abordagem da sexualidade e do gênero, como meio de se refletir sobre o presente e sua imbricação no passado, reforçando o papel político da arqueologia e dos museus. Interpretação arqueológica é criação e, por meio dela, são fundados novos mundos, nesse sentido deve-se experimentar práticas que possibilitem a capacidade de imaginação e atuação política no presente.

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Biografia do Autor

Maurício André da Silva, Universidade de São Paulo

Doutor em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Professor responsável pela Seção Técnica de Educação para o Patrimônio do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. 

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Publicado

2019-07-02

Como Citar

SILVA, M. A. da. Diálogos orientados/desorientados pela teoria queer: por uma prática educativa para além da norma no âmbito da arqueologia. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 13, n. 1[22], p. 218–237, 2019. DOI: 10.20396/rap.v13i1.8654760. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8654760. Acesso em: 9 fev. 2023.