Teorias de gênero e feminismos na arqueologia brasileira

do dimorfismo sexual à primavera queer

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v13i1.8654825

Palavras-chave:

Primavera queer, Dimorfismo sexual, Teorias de gênero

Resumo

Nesse artigo discutiremos como a noção de gênero vem sendo trabalhada na arqueologia brasileira, a partir da história e de grandes temas de nossa disciplina. Nosso enfoque perpassa a arqueologia pré-colonial, em pesquisas que vão da bioarqueologia até arqueologia do simbolismo (arte rupestre, cerâmica, etc.); a arqueologia histórica, em especial da relação das mulheres e o mundo material. Finalizamos a discussão com um panorama mais recente, mostrando o debate de gênero, teoria queer e o feminismo teórico emilitante. E como essas discussões vão além do suporte interpretativo para as relações humanas no passado, mas são fundamentais para o entendimento e questionamento de relações de poder e trabalho presentes na arqueologia profissional e acadêmica.

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Biografia do Autor

Laura Pereira Furquim, Universidade de São Paulo

Doutora em Arqueologia (Museu de Arqueologia e Etnologia) pela Universidade de São Paulo.

Camila Pereira Jácome, Universidade Federal do Oeste do Pará

 Doutora em Arqueologia (Museu de Arqueologia e Etnologia) pela Universidade de São Paulo. Professora Adjunta em Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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Publicado

2019-07-02

Como Citar

FURQUIM, L. P.; JÁCOME, C. P. Teorias de gênero e feminismos na arqueologia brasileira: do dimorfismo sexual à primavera queer. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 13, n. 1[22], p. 255–279, 2019. DOI: 10.20396/rap.v13i1.8654825. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8654825. Acesso em: 31 jan. 2023.