Queer fica, e pur se muove!

ainda sobre Queer e cultura material do passado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v13i1.8655862

Palavras-chave:

Queer, Cultura material, Antiguidade, Diversidade

Resumo

A nova onda conservadora e moralista que se arrastou sobre o país nos últimos anos convenceu-me da necessidade de revisitar o queer e escrever esse breve ensaio, focando em sua relação com os estudos da Cultura Material do passado. As teorias queer, conquanto eternamente em débito com movimentos sociais mais antigos como os feministas e as lutas LGBT, visa oferecer contribuições e perspectivas específicas do queer aos posicionamentos sociopolíticos opostos a todas as formas de heteronormatividade. Queer é um conceito inclusivo e desafiador que pode nos permitir visualizar um passado muito mais complexo e diversificado, e confrontarmos interpretações monolíticas que podem propagar, congelar ou legitimar preconceitos arraigados do presente. Consideradas as reavivadas ameaças de paralisação dos estudos de diversidade em nossas escolas, mais do que nunca, o queer tem de ficar, especialmente, porque é movimento.

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Biografia do Autor

Renato Pinto, Universidade Federal de Pernambuco

Doutor em História Cultural no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Adjunto IV em História Antiga no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco.  

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Publicado

2019-07-22

Como Citar

PINTO, R. Queer fica, e pur se muove! : ainda sobre Queer e cultura material do passado. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 13, n. 1[22], p. 15–33, 2019. DOI: 10.20396/rap.v13i1.8655862. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8655862. Acesso em: 20 set. 2021.