O espaço da troca: a comunicação sem palavras na trilogia Xenogenesis de Octavia Butler

Autores

  • André Cabral de Almeida Cardoso Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v32i2.8635884

Palavras-chave:

Cultura sentimental. Utopia. Identidade.

Resumo

Nos romances de ficção científica que formam a trilogia Xenogenesis, de Octavia Butler, a criação de híbridos de humanos com alienígenas dá origem a uma nova subjetividade utópica baseada na fluidez e no apagamento das fronteiras entre os indivíduos, cujas sensações e emoções circulam numa espécie de comunicação sem palavras que elimina a mediação da linguagem verbal. Um ideal de comunicação semelhante pode ser encontrado na cultura sentimental que se consolidou na França e na Grã-Bretanha em meados do século XVIII. Esse ideal encontra sua expressão paradigmática na pequena comunidade de Clarens descrita em Julie, ou la nouvelle Héloïse, romance sentimental de Jean-Jacques Rousseau. Ao comparar esses dois textos que pertencem a gêneros radicalmente diferentes e escritos em contextos tão distintos, o objetivo deste artigo é examinar como se constitui o resgate de um modelo de comunicação sentimental numa narrativa de ficção científica americana escrita no final do século XX, e a sua relevância nesse novo contexto. Eu também vou discutir as possibilidades utópicas desse modelo de comunicação e o que ele pode revelar a respeito da imaginação utópica contemporânea, assim como estabelecer algumas conexões entre a nossa cultura atual e a tradição sentimental do século XVIII.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

André Cabral de Almeida Cardoso, Universidade Federal Fluminense

Professor adjunto do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas

Referências

ACKERMAN, Erin M Pryor. Becoming and Belonging: The Productivity of Pleasures and Desires in Octavia Butler’s Xenogenesis Trilogy. Extrapolation. Vol. 49, n. 1, 2008.

ALAIMO, Stacy. Displacing Darwin and Descartes: The Bodily Transgressions of Fielding Burke, Octavia Butler, and Linda Hogan. ISLE: Interdisciplinary Studies in Literature and Environment. Vol. 3, n. 1, 1996.

BACON, Francis. New Atlantis. In: BRUCE, Susan (org.). Three Early Modern Utopias: Utopia, New Atlantis and The Isle of Pines. 1a reimpressão. Oxford: Oxford UP, 2008.

BARKER-BENFIELD, G. J. The Culture of Sensibility: Sex and Society in EighteenthCentury Britain. 1a reimpressão. Chicago e Londres: U of Chicago P, 1996.

BAUMAN, Zygmunt. Utopia with No Topos. History of the Human Sciences. Londres, Thousand Acres, CA e Nova Delhi: SAGE, vol. 16, no. 1, 2003.

BAUMAN, Zygmunt. Liquid Modernity. 13a reimpressão. Malden, MA: Polity Press, 2010.

BUTLER, Octavia. A Conversation with Octavia Butler. Entrevista concedida ao site Writers and Books. 2003. Disponível em: http://www.wab.org/events/allofrochester/2003/ interview.shtml. Acessada em: 20/06/2012.

BAUMAN, Zygmunt. Lilith’s Brood. 1a reimpressão. Nova York e Boston: Grand Central Publishing, 2007.

CLARKE, Bruce. Posthuman Metamorphosis: Narrative and Systems. Nova York: Fordham UP, 2008.

FOUCAULT, Michel. Le Corps utopique. In: Le Corps utopique suivi de Les Hétérotopies. S/c: Lignes, 2009.

GOSS, Theodora e RIQUELME, John Paul. From Superhuman to Posthuman: The Gothic Technological Imaginary in Mary Shelley’s Frankenstein and Octavia Butler’s Xenogenesis. MFS Modern Fiction Studies. Baltimore: The Johns Hopkins UP, vol. 53, n. 3, 2007.

HARAWAY, Donna J. The Biopolotics of Postmodern Bodies: Constitutions of Self in Immune Systems Discourse. In: Simians, Cyborgs, and Women: The Reinvention of Nature. Nova York: Routledge, 1991.

BAUMAN, Zygmunt. A Cyborg Manifesto. In: DURING, Simon (org.). The Cultural Studies Reader. 3a ed. Londres e Nova York: Routledge, 2007.

JACOBS, Naomi. Posthuman Bodies and Agency in Octavia Butler’s Xenogenesis. In: BACCOLINI, Raffaella e MOYLAN, Tom (orgs.). Dark Horizons: Science Fiction and the Dystopian Imagination. Nova York e Londres: Routledge, 2003.

JAMESON, Fredric. Archaeologies of the Future: the Desire Called Utopia and Other Science Fictions. 2a ed. Londres e Nova York: Verso, 2007.

MOYLAN, Tom. Scraps of the Untainted Sky: Science Fiction, Utopia, Dystopia. Boulder, Colorado: Westview Press, 2000.

PEPPERS, Cathy. Dialogic Origins and Alien Identities in Butler’s Xenogenesis. Science Fiction Studies. Greencastle, Indiana: SF-TH Inc., vol. 22, n. 1, 1995.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Julie ou la Nouvelle Héloïse. 2 vols. Folio classique. Paris: Gallimard, 1993.

ROWELL Charles H., e BUTLER, Octavia E. An Interview with Octavia E. Butler. Callaloo. Baltimore: The Johns Hopkins UP, vol. 20, No. 1, 1997.

SANDS, Peter. Octavia Butler’s Chiastic Cannibalistics. Utopian Studies. University Park, PA: Penn Univesity P, vol. 14, n. 1, 2003.

SKINNER, Gillian. Sensibility and Economics in the Novel, 1740-1800: The Price of a Tear. Houndmills, GB: Macmillan, 1999.

VON MÜCKE, Dorothea E. Virtue and the Veil of Illusion: Generic Innovation and the Pedagogical Project in Eighteenth-Century Literature. Stanford: Stanford UP, 1991.

WHITE, Eric. The Erotics of Becoming: Xenogenesis and The Thing. Science Fiction Studies. Greencastle, Indiana: SF-TH Inc., vol. 20, n. 3, 1993.

Downloads

Publicado

2012-12-19

Como Citar

CARDOSO, A. C. de A. O espaço da troca: a comunicação sem palavras na trilogia Xenogenesis de Octavia Butler. Remate de Males, Campinas, SP, v. 32, n. 2, p. 229–247, 2012. DOI: 10.20396/remate.v32i2.8635884. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8635884. Acesso em: 5 out. 2022.