A ética de andar nas ruas do Rio de Janeiro

  • Bruno Martins Carvalho
Palavras-chave: Teoria Literária. Crítica literária. Arquivos.

Resumo

Uma leitura do conto de Rubem Fonseca, “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro” (1992), este artigo explora como os conceitos de Simmel de ponte e de porta podem no ajudar a repensar algumas das distâncias espaciais e psicológicas entre as classes sociais da cidade. Argumentando que o texto insere o personagem principal em uma série de convenções literárias apenas para situá-lo além delas, eu afirmo que uma ética do olhar e do caminhar surge das práticas do protagonista – o qual parece estar bem ciente das limitações da literatura, bem como do leitor implícito do conto. Neste processo, são tratadas questões como planejamento urbano, degradação ambiental, religião organizada, miséria e a corrosão do diálogo.

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Publicado
2010-02-01
Como Citar
Carvalho, B. M. (2010). A ética de andar nas ruas do Rio de Janeiro. Remate De Males, 29(2), 285-297. https://doi.org/10.20396/remate.v29i2.8636280