Mulheres anarquistas

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  • Francisco Correia Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v5i0.8636356

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Referências

A carta que reproduzimos nunca foi publicada. Tem a data de 16-5-1942, foi enviada da Ilha do Governador, Rio de Janeiro, por Maria Lacerda de Moura ao anarquista Rodolfo Felipe, cerca de 3 anos antes de falecer. (Arq do A.)

As duas filhas sobreviventes de Adela –Abede e Pierina Rossi – foram mais tarde para a Itália e a segunda doutorou-se em Ciências Matemáticas no ano de 1919

Sobre seu avô Francisco Gattai, fundador da Colônia Cecília e pioneiro do anarquismo no Brasil, idéia que defendeu até à morte, Zélia revela-se igualmente injusta.

O trabalho de Rossi tinha por título Um Episódio d’Amore nella Colonia Cecilia. Edgar Rodrigues, em seu livro Trabalhadores Italianos no Brasil, inclui parte convertida ao idioma português.

Le Revolte, ano 6, nº 25, de 4-10-1893, também publicou um artigo de Pedro Kropotkine, intitulado Colonistion Anarchiste, contestando Coppés, crítico da Colônia Cecília: “Ainda que lhe desagrade, o ideal anarquista não é pôr as mulheres em comum; a Anarquia proclama a igualdade da mulher e do homem, reconhece sua independência, sua total autonomia, inclusive nos atos de amor”.

Renovação, 1919. Nestes anos distantes, a mulher – objeto sexual – não tinha a dimensão dos nossos dias nem a sua comercialização ilustrando calendários, revista eróticas e propaganda comercial apoiada na mulher nua, havia ganhado proporções tão lucrativas, deformadoras e alienantes, como em nossos dias.

Maria Silva no final de 1938 ainda vivia fiel ao anarquismo. Segundo Rafael Fernandez, contava então cerca de 90 anos e gozava de perfeita lucidez e boa memória. (dados no Arq. do A.)

Catalice Silva era costureira.

Maria Angelina Soares ainda vive e continua acreditando que o anarquismo é capaz de promover a felicidade humana.

Este foi o nome pelo qual passou a ser chamada a filha anarquista Krup, tal a sua identificação com personagem de igual nome na peça Sangue Fecundo, representada inúmeras vezes.

Clotilde Duarte e Davina Fraga, operárias costureiras, com Isidoro Alacid, e os operários marmoristas Oscar Duarte e Augusto Anibal acabaram contratados pela Companhia Nacional de Teatro e terminaram seus dias como atores profissionais.

Anita Figueiredo também colaborava na imprensa anarquista.

Em 1921, publicou na revista Renovação uma série de artigos intitulados a Mulher e a Religião com o seguinte apelo: “A anarquia é o ideal que reúne todos os elementos com que poderá organizar uma sociedade onde os seus membros gozem a felicidade e o bem estar compatíveis com os ditames e da razão.

É pela anarquia que a mulher, inteiramente consciente dos seus direitos, deve lutar, juntando os seus esforços ao do seu companheiro.

Em prol do elevado ideal da anarquia, peço às mulheres em geral para se afastarem da influência nefasta da religião e para trabalharem para a organização de uma sociedade onde os deveres e os direitos sejam iguais para todos e onde não exista Deus nem diabo”. José Oiticica escrevendo sobre “energia feminina” na revista A Vida”, convoca a companheira do homem para lutar pela emancipação social e humana ao seu lado.

Maria Lacerda de Moura publicou: Em torno da Educação, Porque Vence o Porvir, Renovação, A Mulher e a Maçonaria, A Fraternidade e a Escola, A Mulher Modierna e seu Papel na Sociedade Atual e na Formação da Civilização Futura, A Mulher é Uma Degenerada? (réplica ao cientista Miguel Bombarda), Lições de Pedagogia, Religião do Amor e da Beleza, De Amundsen a Del Prete, Clero e Estado, Civilização Tronco de Escravos, Amai E... Não Vos Multipliqueis, Han Ryner e o Amor no Plural, Serviço Militar Obrigatório Para Mulher – Recuso-me e Renucio, Ferrer, O Clero Romano e a Educação Laica, Português Para os Cursos Comerciais, O Silêncio (obra póstuma).

Diário Anarquista do Rio de Janeiro.

“O Grito Operário”, S. Paulo, 18-2-1920.

Jornal anarquista, Rio, 27-9-1919.

A voz da União, anarquista, São Paulo, 4-11-1922. O artigo-protesto de Umbelina tinha por título Devorado pelos Cães.

A Manhã - S.P., 19-9-1935, Novos Rumos, Edgar Rodrigues. O jornal anarquista A Plebe, S. Paulo, 12-10-1035, também publicou Memorial de Protesto da Federação Regional Anarquista” em solidariedade à jovem vítima da polícia paulista.

Rio de Janeiro – Federação Operária, Praça Tiradentes, 71, sobrado, 14 a 16 de outubro de 1915.

Este chamamento tinha conexão com manifesto da Federação Operária de São Paulo divulgado pelos jornais A Plebe, O Trabalhador e A Platéia.

Novos Rumos, Edgar Rodrigues.

Manifesto reproduzido no livro Nacionalismo e Cultura Social, Edgar Rodrigues.

Alvorada Operária, Edgar Rodrigues.

Recordemos entre outros o anarquista Vicente de Caria. Suas filhas tinham o nome de Anarquia, Libertá e Acrácia de Caria. Outros colocaram em seus filhos nomes como Germinal, Libertário, Liberto, Amor, Spartacus, Eliseu Reclus, Ideal, Bakunine, Malatesta e Zola.

A Plebe, S. Paulo, 6-8-1927.

Estes dados devemo-los a sua filha maria Angelina Soares. Foi ela mesma quem nos forneceu –juntamente com seu companheiro Amilcar dos Santos, também anarquista –informações que registramos. Atualmente vive no Rio de Janeiro.

Maria Lacerda de Moura foi fortemente influenciada pela feminista e educadora sueca Ellen Key (1849-1926). Fora do Brasil, colaborou em revistas da América Latina e em Estúdios de Valência, Espanha, nºs 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 116, 118, 119, 120, 121, 122, 125, 126, 127, 129, 130, 131, 132, 138, 142, 148, 152, 153 (1932-1935), e na Europa em “Cadernos Amigos de Han Ryner” nºs 30, 31, 34. Neste último número sua colaboração tinha por título: Tem sexo a sua inteligência? Colaborou em “Inquietudes” e depois de seu falecimento foram inseridos em CENIT (revista Toulouse) nºs 49, 69, 85 e 90 (1955-1958).

O livro do escritor rumeno Eugen Relgis: Encosta América Europa (México) fala da anarquista Maria Lacerda de Moura com o mesmo carinho que Vlamir Muñoz em Voluntaa do Uruguai e Reconstruir da Argentina.

Nacionalismo e Cultura Social – Edgar Rodrigues.

Novos Rumos – Edgar Rodrigues.

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Publicado

2012-10-31

Como Citar

CORREIA, F. Mulheres anarquistas. Remate de Males, Campinas, SP, v. 5, p. 43–60, 2012. DOI: 10.20396/remate.v5i0.8636356. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8636356. Acesso em: 27 nov. 2022.