Pasini, Leandro. A apreensão do desconcerto: subjetividade e nação na poesia de Mário de Andrade.

Autores

  • Emílio Maciel Universidade Federal de Ouro Preto

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v35i1.8641516

Palavras-chave:

Apreensão do desconcerto. Modernismo brasileiro. Mário de Andrade

Resumo

Numa conhecida passagem de No caminho de Swann, o narrador em primeira pessoa, recolhido ao conforto do quarto para mergulhar na leitura, tem sua atenção momentaneamente desviada pelo ruído obsedante das moscas, que até então fazia as vezes de pano de fundo à sua atividade principal. Num trecho que parece tentar justificar ou no mínimo racionalizar certa sensação de inércia – responsável por privar Marcel de ver com os próprios olhos o espetáculo da natureza –, o detalhe em aparência arbitrário e até irritante é convertido na sequência do raciocínio em inesperada sinopse do mundo exterior, num volteio onde a intimação totalizadora das impressões óticas parece perder gradualmente força diante da discreta obliquidade do ruído em surdina, monumentalizado por Proust na bela metáfora da “música de câmera do verão”.

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Biografia do Autor

Emílio Maciel, Universidade Federal de Ouro Preto

Possui graduação em Letras pela UFMG (1999), mestrado em Estudos Literários pela UFMG (2002) e doutorado em Estudos Literários pela UFMG (2007). Desde 2008, é professor adjunto de Literatura no Departamento de Letras da UFOP. Atua principalmente nas seguintes áreas: literatura comparada, teoria da literatura, teorias do romance, lírica moderna, cinema, desconstrução, música popular.

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Publicado

2015-04-22

Como Citar

MACIEL, E. Pasini, Leandro. A apreensão do desconcerto: subjetividade e nação na poesia de Mário de Andrade. Remate de Males, Campinas, SP, v. 35, n. 1, p. 249–256, 2015. DOI: 10.20396/remate.v35i1.8641516. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8641516. Acesso em: 14 ago. 2022.