O ‘trabalho dobrado do livro: sobre o jornal Dobrabil, de Glauco Mattoso

Autores

  • Gustavo Scudeller Universidade Federal de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v37i1.8647524

Palavras-chave:

Ideia do livro. Jornal. Artesanato poético.

Resumo

Entre 1977 e 1981, Glauco Mattoso (codinome literário de Pedro José Ferreira da Silva) levou a cabo uma das mais inusitadas experiências com a poesia e a prosa visuais já realizadas na literatura brasileira, ao escrever e distribuir, via correio, o seu Jornal Dobrabil. Inicialmente concebidos para serem lidos numa só folha de papel A4, batida à máquina em frente e verso, xerocopiada e dobrada ao meio, com tiragem e ordem irregulares, os fascículos do jornal foram reunidos pela primeira vez em livro ainda em 1981, e reeditados, em 2001, pela Editora Iluminuras. Essa passagem do jornal ao livro conjunta e inversamente à passagem do artesanato poético para a edição impressa na obra de Glauco Mattoso é a questão que mais imediatamente nos interessa aqui. Partindo da hipótese de que, sendo uma espécie de work in progress, o jornal já presumiria em sua concepção geral uma ideia de livro, procuraremos demonstrar como essa ideia remonta a uma tradição moderna de reflexão poética sobre as relações entre o livro e a imprensa e como essa tradição funda a própria ideia de jornal no panfleto poético-literário de Glauco. Neste caso, privilegiaremos a linhagem franco-brasileira dessa tradição, da qual Mallarmé, na França, e Haroldo de Campos, um dos maiores divulgadores de sua obra no Brasil, são dois nomes cruciais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gustavo Scudeller, Universidade Federal de São Paulo

Possui graduação (2006) e mestrado (2009) em Letras pela Unesp e doutorado (2014) em Teoria e História Literária pela Unicamp. É professor do Departamento de Letras da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp de Guarulhos desde agosto de 2016. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em teoria da literatura e poesia brasileira, atuando principalmente em temas que tratam das relações entre ciência e poesia, épica e modernidade, poesia brasileira moderna e contemporânea e, mais recentemente, cultura letrada e humanismo.

Referências

BAYARD, Pierre. Como falar dos livros que não lemos? Trad. Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

CAMPOS, H. Depoimentos de oficina. São Paulo: Unimarco, 2002.

CAMPOS, H. Galáxias. 2ª edição revista; organização de Trajano Vieira. São Paulo: Ed. 34, 2004.

CAMPOS, H. Do epos ao epifânico (gênese e elaboração das Galáxias). In: CAMPOS, H. Metalinguagem & outras metas: ensaios de teoria e crítica literária. São Paulo: Perspectiva, 2006.

DERRIDA, J. Papel-máquina. Tradução de Evando Nascimento. São Paulo: Estação Liberdade, 2004.

DERRIDA, J. Gramatologia. São Paulo: Perspectiva, 2006.

MALLARMÉ, S. Divagações. Tradução e apresentação de Fernando Scheibe. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2010.

MATTOSO, G. Jornal Dobrabil. São Paulo: Iluminuras, 2001.

Downloads

Publicado

2017-08-28

Como Citar

SCUDELLER, G. O ‘trabalho dobrado do livro: sobre o jornal Dobrabil, de Glauco Mattoso. Remate de Males, Campinas, SP, v. 37, n. 1, p. 137–158, 2017. DOI: 10.20396/remate.v37i1.8647524. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8647524. Acesso em: 28 maio. 2022.

Edição

Seção

2. Entre o fragmento e o livro, a prosa e a poesia