A unidade febril de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima

Autores

  • Suene Honorato Universidade Federal do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v37i1.8647542

Palavras-chave:

Invenção de Orfeu. Unidade febril. Contradição.

Resumo

Invenção de Orfeu, livro que se propõe como epopeia moderna, constrói um tipo de unidade que recusa a lógica racional: unidade produzida por um organismo adoecido. Quais os motivos desse adoecimento? Por que o poeta, personagem da aventura de fundação da ilha, não se desobriga da busca por unidade? Ao constatar um universo caótico, refratário à poesia, o poeta assume uma postura contraditória: ora afirma, ora nega que a palavra poética seja capaz de fundar um mundo novo. Esse movimento contraditório estrutura o poema e tem na figura de Orfeu o símbolo maior. A leitura de alguns poemas em que Orfeu é referido permitirá avaliar os motivos do “adoecimento do poema” e a busca por uma “unidade febril”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Suene Honorato, Universidade Federal do Ceará

Professora do Departamento de Literatura, área de Literatura Brasileira.

Referências

AGAMBEN, G. O fim do poema. Trad. Sérgio Alcides. In: Cacto, n. º1. São Paulo: Alpharrabio, 2002, pp. 142-149.

ANDRADE, F. de S. O engenheiro noturno: a lírica final de Jorge de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997 (Críticas Poéticas; 6).

ALENCAR, J. de. Cartas sobre A confederação dos tamoios. In: ______. Obra completa. Vol. 4. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1960, pp. 865-922.

ANDRADE, F. de S. O engenheiro noturno: a lírica final de Jorge de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997 (Críticas Poéticas; 6).

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2006.

BILAC, O. Tratado de versificação. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1905.

BLANCHOT, M. O espaço literário. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

CANABRAVA, E. Jorge de Lima e a expressão poética. In: LIMA, J. de. Jorge de Lima: poesia completa. Org. Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, pp. 112-121.

ELIADE, M. História das crenças e ideias religiosas, volume I: da Idade da Pedra aos mistérios de Elêusis. Trad. Roberto Cortes de Lacerda. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

ELIADE, M. História das crenças e ideias religiosas, volume II: de Gautama Buda ao triunfo do cristianismo. Trad. Roberto Cortes de Lacerda. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

CHOURAQUI, A. No princípio. Trad. Carlito Azevedo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1995.

LIMA, J. de. Invenção de Orfeu. In: Poemas. In: ______. Jorge de Lima: poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, pp. 505-802.

MÉNARD, R. Mitologia greco-romana. Vol. 2. Trad. Aldo Della Nina. São Paulo: Opus, 1991.

MERQUIOR, J. G. Razão do poema: ensaios de crítica e de estética. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.

SPTIZER, L. La enumeración caótica en la poesía moderna. In: ______. Linguística e historia literária. Trad. Raimundo Lida. Madrid: Editorial Gredos, 1968, pp. 247-291.

STAIGER, E. Conceitos fundamentais da poética. Trad. Celeste Aída Galeão. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1969.

TELLES, G. M. Camões e a poesia brasileira. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979.

VASCONCELOS DA SILVA, A.; RAMALHO, C. História da epopeia brasileira: teoria, crítica e percurso. Rio de Janeiro: Garamond, 2007.

Downloads

Publicado

2017-08-28

Como Citar

HONORATO, S. A unidade febril de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima. Remate de Males, Campinas, SP, v. 37, n. 1, p. 217–239, 2017. DOI: 10.20396/remate.v37i1.8647542. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8647542. Acesso em: 28 maio. 2022.

Edição

Seção

4. O organismo e suas fraturas