Os homens-fronteira: problemas históricos e soluções ficcionais em Erico Verissimo

  • Jocelito Zalla Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: Erico Verissimo. Literatura e história. Memória histórica. Regionalismo gaúcho.

Resumo

A fortuna crítica sobre Erico Verissimo geralmente enfatiza valores universais em sua obra, apesar da tematização de aspectos históricos e folclóricos de alcance regional. Se essa operação tende a legitimar o estudo de sua ficção, também pode desconectá-la de seu meio de produção e de circulação imediata. Este artigo, assim, pretende analisar as relações entre O continente, primeiro livro da trilogia O tempo e o vento - dedicado à formação histórica do Rio Grande do Sul - e a tradição letrada local. Dois procedimentos metodológicos principais serão adotados: identificar respostas literárias a problemas compartilhados de memória; avaliar os usos da temática local para a escrita de ficção. A solução formal mais empregada, a técnica do contraponto, permite a representação complexa da realidade, articulando diferentes pontos de vista a partir de personagens-chave (como a filiação cultural do Rio Grande a Portugal ou Espanha). Contudo, dois temas históricos ganham bastante atenção do romancista: a miscigenação racial e a escravidão. A narrativa, então, soma-se aos esforços de desconstrução de mitos da memória histórica oficial, como o da branquitude do gaúcho e o parco uso da mão de obra escrava no passado sulino.

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Biografia do Autor

Jocelito Zalla, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Professor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutorando em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Publicado
2016-12-16
Como Citar
Zalla, J. (2016). Os homens-fronteira: problemas históricos e soluções ficcionais em Erico Verissimo. Remate De Males, 36(2), 461-479. https://doi.org/10.20396/remate.v36i2.8647911