Retrato falado:

as meninas mortas

Palavras-chave: Cornélio Penna, A menina morta, fantasma.

Resumo

Este trabalho compara uma pintura (1850) a um romance (1954), ambos denominados A menina morta. O autor da primeira é desconhecido e seu título foi atribuído, já o romance foi escrito por Cornélio Penna, inspirado pelas histórias da própria família e por essa pintura, que retrata sua tia materna falecida na infância. Há uma espécie de interseção entre um e outro, pois, se o romance está marcado pelo retrato, aqueles de nós que sabemos disso não podemos ver/ler este sem aquele. Tais considerações são ainda mais relevantes porque o retrato está presente no romance. Como um fantasma, no sentido utilizado por Didi-Huberman em A pintura encarnada (2012), ele nos toca. E, como um fantasma, o retrato aparece, desaparece e reaparece. Ele se faz ver para se tornar invisível sem deixar de, pela sua ausência, manter-se presente. É justamente tal aspecto fantasmático que nos interessa abordar.

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Biografia do Autor

Josalba Fabiana Santos, Universidade Federal de Sergipe

Graduação e mestrado em Letras pela Universidade Federal do Paraná. Doutorado em Estudos Literários e estágio pós-doutoral pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora de literatura brasileira do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Letras na Universidade Federal de Sergipe.

Referências

A MENINA morta. 1850. 1 original de arte, óleo sobre tela, 65 cm x 80 cm. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa. Coleção Cornélio Penna.

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PENNA, Cornélio. Romances completos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.

PENNA, Cornélio. A menina morta. Rio de Janeiro: Artium, 1997.

Publicado
2019-12-13
Como Citar
Santos, J. F. (2019). Retrato falado:. Remate De Males, 39(2), 952-996. https://doi.org/10.20396/remate.v39i2.8653976