O Museu é um espelho ustório

  • Raul Antelo Universidade Federal de Santa Catarina
Palavras-chave: Formação identitária, Experiência de memória, Pesquisa acadêmica

Resumo

“O museu é o espelho colossal onde o homem se contempla, finalmente, sob todos os ângulos, julga-se literalmente admirável e se abandona ao êxtase expresso em todas as revistas de arte”. De acordo com Georges Bataille (Documents, 1929), o espelho é uma metáfora do museu como um todo. Uma longa tradição intelectual no pensamento latino-americano (em especial no Chile, de Sarmiento a Lihn) manteve a divisão sujeito/objeto para analisar de que modo as construções materiais, culturais, sociais e políticas funcionam, de ambos os lados dessa relação, na medida em que ambas estão inscritas com histórias e identidades e podem até modificar-se recíprocamente no interior do espaço do museu.

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Biografia do Autor

Raul Antelo, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduado em Letras Modernas pela Universidad de Buenos Aires (1974) e em Língua Portuguesa pelo Instituto Superior del Profesorado en Lenguas Vivas (1972), mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (1978) e doutorado em Literatura Brasileira pela mesma Universidade (1981). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: modernismo e modernidade, poesia e crítica cultural contemporânea.

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Publicado
2019-07-01
Como Citar
Antelo, R. (2019). O Museu é um espelho ustório. Remate De Males, 39(1), 4-27. https://doi.org/10.20396/remate.v39i1.8654438