Procedimentos de visualidade nos diários de Ricardo Piglia

Palavras-chave: Visualidade, Diários, Ricardo Piglia

Resumo

Nos Diários de Emilio Renzi, publicados pelo escritor argentino Ricardo Piglia, em paralelo ao grande projeto de registro do cotidiano e da subjetividade, corre uma narrativa que se poderia chamar “suplementar” e que diz respeito ao contato com as imagens – fotográficas, cinematográficas ou mesmo cenas evocadas pela memória. Toda vez que a imagem é requisitada, por conta de sua materialidade ou sua ausência, Piglia articula um processo volátil de posicionamento narrativo e histórico que joga com três posições: “eu”, “tu” e “ele/ela”. Trata-se, portanto, de investigar como as imagens surgem nos Diários na condição de rastros, sintomas de uma espécie de condição irrefletida de estar no mundo e estar na linguagem por parte do narrador. Ou ainda, investigar como a requisição das imagens indica um caminho alternativo para a genealogia – sempre diferida e renovada – do processo de distanciamento/estranhamento tão caro a Piglia em toda a sua produção.

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Biografia do Autor

Kelvin Falcão Klein, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Professor de Literatura Comparada na Escola de Letras da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da mesma instituição

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Publicado
2019-09-12
Como Citar
Klein, K. F. (2019). Procedimentos de visualidade nos diários de Ricardo Piglia. Remate De Males, 39(2), 627-640. https://doi.org/10.20396/remate.v39i2.8655743