A morte e a morte das democracias ocidentais

Palavras-chave: Desdemocratização, Exceção, Guantánamo

Resumo

Neste artigo mobilizando o pensamento de Giorgio Agamben, Judith Butler e Jacques Derrida, problematizamos os discursos que anunciam o fim da democracia. Apresentaremos as críticas à democracia, começando pelo percurso que leva Agamben a perceber que a exceção constitui a regra, mesmo nas democracias contemporâneas. Guantánamo será para nós paradigma do estado de exceção identificado por Agamben, explorado pela crítica de Butler à política de guerra dos EUA. No segundo momento, vamos visitar, na filosofia de Derrida, a ideia de democracia como um regime autoimunitário, que só existe como abertura para sua própria autodestruição, não podendo ela ser definida senão como uma democracia porvir.

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Biografia do Autor

Carla Rodrigues, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil, 2011.
Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil.

Isabela Ferreira de Pinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (bolsa CNPq). Atualmente trabalha como tradutora no projeto do Dicionário dos intraduzíveis, coordenado pelo professor Fernando Santoro (UFRJ), e como professora de cursos de extensão da PUC-Rio.

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Publicado
2020-05-29
Como Citar
Rodrigues, C., & Ferreira de Pinho, I. (2020). A morte e a morte das democracias ocidentais. Remate De Males, 40(1), 69-85. https://doi.org/10.20396/remate.v40i1.8658069