Macunaíma e Chico Antônio

heróis do Brasil profundo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v41i2.8661623

Palavras-chave:

Identidade, Tradição, Folclore

Resumo

Mário de Andrade compreendeu a nação a partir de relações entre pares de opostos. O Brasil seria a imagem híbrida entre a cidade e o sertão, o moderno e o arcaico, o progresso e o atraso. Este artigo questiona o modo como o escritor pensou a identidade brasileira a partir da análise de dois textos: a narrativa clássica Macunaíma e a série de crônicas Vida do cantador, baseada no personagem real Chico Antônio, cantor popular que Mário de Andrade conheceu quando de sua viagem ao Nordeste em fins dos anos 1920. Busca-se mostrar, particularmente, a construção de uma imagem do Brasil enquanto crítica ou reação à civilização moderna. Em outros termos, segundo o autor, a nação brasileira seria uma civilização nova, dita tropical, avessa ao paradigma de sociedade burguesa europeia.

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Biografia do Autor

Caion Meneguello Natal, Universidade de São Paulo

Doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas. Pesquisador do programa de pós-doutorado do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP).

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Publicado

2021-12-30

Como Citar

NATAL, C. M. Macunaíma e Chico Antônio: heróis do Brasil profundo. Remate de Males, Campinas, SP, v. 41, n. 2, p. 353–377, 2021. DOI: 10.20396/remate.v41i2.8661623. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8661623. Acesso em: 23 maio. 2022.