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O deserto e o verbo em a paixão segundo G. H.
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Palavras-chave

Clarice Lispector
Espaço literário
Literatura e paisagem

Como Citar

MENDONÇA, Fernando de. O deserto e o verbo em a paixão segundo G. H. Remate de Males, Campinas, SP, v. 42, n. 2, p. 478–493, 2023. DOI: 10.20396/remate.v42i2.8662084. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8662084. Acesso em: 16 jun. 2024.

Resumo

O presente ensaio analisa o romance A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector, observando a ênfase narrativa que desconstrói a categoria de espaço vivenciada pela protagonista. Através da sobreposição de realidades físicas distintas, como a paisagem de um deserto por sobre o quarto de uma empregada, percebe-se no livro uma forte identificação espacial entre linguagem e existência. Buscando verificar os desdobramentos da reconhecida crise que configura o texto clariceano, surge a hipótese de que não é somente no famoso embate entre a mulher e a barata que se processa o tom metafísico dessa ficção, mas também nas primeiras reações que colocam em diálogo a personagem e o espaço. Para a reflexão, são revisitadas algumas teorias que refletem sobre o espaço literário (BACHELARD, 1989; BLANCHOT, 1987) e certas considerações mais específicas sobre a paisagem desértica (AMARAL, 2009; BLANCHOT, 2005; PONDÉ, 2009), além de leituras já feitas sobre o trabalho de Clarice. Da relação entre literatura e deserto, sondam-se as implicações que acarretam certo grau de aridez ao verbo da expressão humana.

https://doi.org/10.20396/remate.v42i2.8662084
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Referências

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