A estrutura psicológica do fascismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v41i1.8664633

Palavras-chave:

Fascismo, Psicanálise

Resumo

O marxismo, após ter afirmado que em última instância a infraestrutura de uma sociedade determina ou condiciona a superestrutura, não tentou nenhuma elucidação geral das modalidades próprias à formação da sociedade religiosa e política. Ele admitiu igualmente a possibilidade de reações da superestrutura mas, ainda assim, não passou da afirmação para a análise científica. Este artículo apresenta, a propósito do fascismo, uma tentativa de representação rigorosa (senão completa) da superestrutura social e de suas relações com a infraestrutura econômica. Trata-se, contudo, apenas de um fragmento pertinente a um conjunto relativamente importante, o que explica um grande número de lacunas, sobretudo a ausência de qualquer consideração sobre o método*; foi mesmo necessário renunciar aqui a dar uma justificação geral de um ponto de vista novo e limitar-se à exposição dos fatos. Porém, a mera exposição da estrutura do fascismo necessitou, como introdução, de uma descrição de conjunto da estrutura social. Não é preciso dizer que a análise da superestrutura pressupõe o desenvolvimento prévio daquela da infraestrutura, estudada pelo marxismo. Nisso está o principal defeito desta exposição que não deixará de espantar e de chocar pessoas as quais não estejam familiarizadas nem com a sociologia francesa, nem com a filosofia alemã moderna (fenomenologia), nem com a psicanálise. Como indicação, pode-se entretanto insistir no fato de que as descrições seguintes se referem à estados vividos e que o método psicológico adotado exclui qualquer recurso à abstração. 

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Biografia do Autor

Bruno Reiser, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Membro do Grupo de Pesquisa Metafísica e Política, bolsista CNPq.

Adriana Varandas, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda em Teoria Literária na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Referências

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Publicado

2021-06-23

Como Citar

BATAILLE, G.; REISER, B.; VARANDAS, A. . A estrutura psicológica do fascismo. Remate de Males, Campinas, SP, v. 41, n. 1, p. 238–267, 2021. DOI: 10.20396/remate.v41i1.8664633. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8664633. Acesso em: 27 nov. 2021.