‘Se eu pensava, eu existia’

autoria e animalidade em Memórias de porco-espinho, de Alain Mabanckou

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/remate.v42i2.8668722

Palavras-chave:

Zooliteratura, Ecocrítica, Literaturas Africanas

Resumo

O enredo de Memórias de porco-espinho consiste em confissões feitas por um porco-espinho a um baobá sobre sua vida e os crimes que cometeu em nome de seu mestre humano Kibandí. Anunciando abertamente sua animalidade, o porco-espinho ironiza os padrões classificatórios e generalistas dos humanos, mobilizando uma série de elementos que colocam em xeque certos binarismos como natureza e cultura, seres animados e seres inanimados, e questionam a inadequação dessas classificações frente à diversidade e à complexidade animal. Neste artigo, busca-se analisar os modos através dos quais essa autobiografia animal convoca a repensarmos conceitos como humano e não-humano, a categorização em gêneros literários específicos e bem delimitados, os paradigmas dominantes da ciência e as relações entre ficção e realidade, com implicações significativas para examinarmos as relações entre humanos e animais.

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Biografia do Autor

Gabriela Beduschi Zanfelice, Universidade Estadual de Campinas

 Mestranda em Teoria e História Literária na Universidade Estadual de Campinas, Brasil.

Fernanda Bianca Gonçalves Gallo, Universidade Estadual de Campinas

 Pós-doutoranda em Teoria e História Literária na Universidade Estadual de Campinas, Brasil.

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Publicado

2022-12-14

Como Citar

ZANFELICE, G. B. .; GALLO, F. B. G. . ‘Se eu pensava, eu existia’: autoria e animalidade em Memórias de porco-espinho, de Alain Mabanckou. Remate de Males, Campinas, SP, v. 42, n. 2, 2022. DOI: 10.20396/remate.v42i2.8668722. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8668722. Acesso em: 3 fev. 2023.

Dados de financiamento