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Autoria para além do livro
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Palavras-chave

Aluísio Azevedo
O homem
Epitexto e autoria

Como Citar

SALLA, Thiago Mio. Autoria para além do livro: o caso de "O Homem", de Aluísio Azevedo. Remate de Males, Campinas, SP, v. 43, n. 2, p. 343–368, 2023. DOI: 10.20396/remate.v43i2.8672761. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8672761. Acesso em: 25 jul. 2024.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo discorrer sobre o multifacetado e avultado epitexto do romance O homem (1887), de Aluísio Azevedo, best-seller cujas três primeiras edições esgotaram-se em apenas três meses. Fugindo da costumeira indiferença de nossos escritores em relação à promoção de suas próprias obras, esse escritor, juntamente com uma rede de amigos pautada pelo elogio mútuo e inserida em importantes meios intelectuais do tempo, teve papel ativo na difusão do romance. Tal processo contou com a realização de conferências, promoção de banquete, distribuição de panfletos, adaptação do romance para o teatro, bem como a publicação, majoritariamente na imprensa, de algo em torno de 140 textos entre notas, críticas, reportagens e crônicas, ao longo de mais de um ano, num contexto em que o jornal poderia ser tomado, em certa medida, como uma extensão do livro e vice e versa. Ao palmilhar a trajetória alargada do livro para além do suporte livresco, observa-se as implicações dessa expressiva malha epitextual na consolidação do autor, quer por proporcionar sua inserção entre um público mais amplo (que crescia no final do século XIX), quer por viabilizar seu primeiro contrato com a prestigiada editora Garnier, quer por consolidar sua posição como a figura mais proeminente da estética naturalista no Brasil.

https://doi.org/10.20396/remate.v43i2.8672761
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