Memória cultural e patrimônio imaterial no Médio Piracicaba, Minas Gerais

Autores

  • Raimundo Expedito dos Santos Sousa Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.20396/resgate.v24i1.8647061

Palavras-chave:

Cultura. Memória. Patrimônio.

Resumo

Nas últimas décadas, o revigoramento do interesse pelo passado implica o investimento discursivo na memória, depositária do afã pela retenção da experiência histórica, esvaziada de sentido frente à vertiginosa obsolescência que notabiliza a sociedade contemporânea. Contudo, uma vez que a “memória oficial”, assentada no dilema entre a lembrança e o recalque, possui caráter excludente, tornam-se politicamente significativas memórias disjuntivas como as manifestações populares, capazes de apresentar formas contra-hegemônicas de articulação identitária. Nesse diapasão, este trabalho concebe a imaterialidade como necessário alargamento do conceito de patrimônio, uma vez que democratiza a participação de diferentes estratos sociais na organização da cultura. Assim, este trabalho procede a um estudo em torno do patrimônio intangível, com enfoque em três manifestações culturais peculiares à microrregião do Médio Piracicaba, Minas Gerais, que denomino o linguajar dos sinos, o dialeto do macaco e o ouro vermelho.

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Biografia do Autor

Raimundo Expedito dos Santos Sousa, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (linha de pesquisa Literatura, História e Memória Cultural) na Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Teoria Literária e Crítica da Cultura (linha de pesquisa Literatura e Memória Cultural) pela Universidade Federal de São João del-Rei. Graduado em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei. Atualmente é bolsista de doutorado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

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Publicado

2016-10-14

Como Citar

SOUSA, R. E. dos S. Memória cultural e patrimônio imaterial no Médio Piracicaba, Minas Gerais. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 24, n. 1, p. 159–180, 2016. DOI: 10.20396/resgate.v24i1.8647061. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8647061. Acesso em: 25 jan. 2022.