A negação da memória do trabalho no discurso do capital

Autores

  • Maria Virginia Borges Amaral Universidade Federal de Alagoas

DOI:

https://doi.org/10.20396/resgate.v24i1.8647096

Palavras-chave:

Trabalho. Discurso. Memória discursiva. História.

Resumo

Este artigo apresenta uma análise do discurso do capital que intenta regular, ressignificar e silenciar a memória discursiva do trabalho. O sentido de trabalho historicamente sedimentado nos discursos das classes fundamentais desta sociedade é apropriado pelos representantes institucionais do capital para ser negado. Novas ideias são formuladas a partir de imagens valorativas que ofuscam os trabalhadores e os impedem de conhecer sua posição de sujeito, sua real identidade nas relações de trabalho, produzindo efeitos de desmemoriação. É isto que este texto pretende demonstrar.

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Biografia do Autor

Maria Virginia Borges Amaral, Universidade Federal de Alagoas

Professora associada da Universidade Federal de Alagoas, possui graduação em Serviço Social, mestrado em Letras e Linguística e doutorado em Letras e Linguística, todos pela Universidade Federal de Alagoas. Ministra aulas nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Serviço Social e em Letras e Linguística. Integra a equipe de avaliadores de curso pelo INEP. Tem experiência na área de Serviço Social, com ênfase em Serviço Social nos campos da saúde e do trabalho. Desenvolve pesquisa sobre Trabalho e Serviço Social, produzindo conhecimento nas áreas de Serviço Social e Análise do Discurso. Possui livros e artigos publicados, discutindo, principalmente, os seguintes temas: serviço social, análise do discurso, trabalho, direitos sociais, ideologia e história.

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Publicado

2016-10-14

Como Citar

AMARAL, M. V. B. A negação da memória do trabalho no discurso do capital. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 24, n. 1, p. 37–54, 2016. DOI: 10.20396/resgate.v24i1.8647096. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8647096. Acesso em: 25 jan. 2022.