O folclore e a escrita da História: a cultura popular como fonte

Palavras-chave: Folclore. Cultura Popular. História da cultura.

Resumo

Desde o século XIX, o folclore tem sido objeto de controvérsia nas Ciências Humanas. Parte disso se deve à posição de que suas manifestações constituem vestígios de tradições cristalizadas, passadas de geração a geração, que se confundem em um passado pouco apreensível pelo tempo histórico e estão imunes a transformações. Considerando a tradicionalidade e a longa duração que caracterizam essas manifestações da cultura popular, este artigo traça um panorama do desenvolvimento dos estudos folclóricos, em especial a partir da Folklore Society britânica, a fim de propor abordagens contemporâneas sobre o uso de suas fontes e a recuperação de sua importância para a escrita da História. Com isso, espera-se iluminar alguns aspectos relevantes ao trabalho do historiador, entendendo que o folclore se expressa e se transforma em consonância com as dinâmicas sociais e históricas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vitor Hugo Silva Néia, Universidade de São Paulo
Bacharel e Mestre em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Pós-graduado em Gestão Cultural pelo Centro Universitário Senac. Licenciado em História pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). Membro da Associação Nacional de História - Seção São Paulo (ANPUH-SP). Foi bolsista do Programa de Iniciação Científica do CNPq (2011-2012) e de Mestrado da CAPES (2013-2014). Técnico em Museologia pelo Centro Paula Souza (2008). Tem experiência em relações institucionais, memória organizacional, patrimônio museológico e produção e montagem de exposições de artes plásticas, história e arqueologia. Foi assistente pessoal do arquiteto e museólogo Julio Abe Wakahara. Desde 2009, atua no Museu Histórico Bradesco, no qual ocupa a função de Coordenação.

Referências

ABREU, Martha; SOIHET, Rachel. Ensino de História: conceitos, temáticas e metodologias. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.

ASHMAN, Gordon; BENNETT, Gillian. Charlotte Sophia Burne: Shropshire Folklorist, First Woman President of the Folklore Society, and First Woman Editor of Folklore. Part 1: A Life and Appreciation. Folklore Society Journal, Londres, v. 111, n. 1, abr. 2000. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/1260976?seq=1#page_scan_tab_contents. Acesso em: 8 maio 2017.

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 2013.

BALTANÁS, Enrique. Los orígenes de la escuela popular de sabiduría superior. In: SOTERAS, Jordi D. Hoy es siempre todavía. Sevilla: Renacimiento, 2006.

BARRERA, José C. B. Introducción a la historia teórica. Madri: Akal, 2009.

BEIRED, José L. B. Sob o signo da nova ordem: intelectuais autoritários no Brasil e na Argentina. São Paulo: Loyola, 1999.

BENNETT, Gillian. The Thomsian heritage in the Folklore Society (London). Journal of Folklore Research, Indiana, v. 33, n. 3, p. 212-220, set./dez. 1996. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/3814676?seq=1#page_scan_tab_contents. Acesso em: 8 maio 2017.

BLOCH, Marc. Apologia da História, ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

BRANDÃO, Carlos R. O que é folclore. São Paulo: Brasiliense, 2006.

BURKE, Peter. Cultura Popular na Idade Moderna: Europa, 1500-1800. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.

CHARTIER, Roger. Cultura popular: revisitando um conceito historiográfico. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 8, n. 16, p. 179-192, 1995.

CIPINIUK, Alberto. A face pintada em pano de linho: moldura simbólica da identidade brasileira. São Paulo: Edições Loyola, 2003.

COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Fundação Joaquim Nabuco. Carta do Folclore Brasileiro (1995). Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/geral/folclore/carta.pdf. Acesso em: 19 dez. 2016.

FERNANDES, Florestan. O folclore em questão. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

FISCHMAN, Fernando. Folklore and Folklore Studies in Latin America. In: BENDIX, Regina; HASAN-ROKEM, Galit (Orgs.). A Companion to Folklore. New Jersey: Blackwell, 2012.

FUNARI, Pedro P.; PELEGRINI, Sandra C. A. Patrimônio histórico e cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

HILL, David. Sturm und Drang. In: MURRAY, Christopher J. (Org.). Encyclopedia of the Romantic Era. Londres: Taylor & Francis, 2004. v. 2.

HOBSBAWM, Eric. Nações e nacionalismo desde 1780. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

NOGUEIRA, Carlos. Bruxaria e história. Bauru: Edusc, 2004.

NOYES, Dorothy. The Social Base of Folklore. In: BENDIX, Regina; HASAN-ROKEM, Galit (Orgs.). A Companion to Folklore. New Jersey: Blackwell, 2012.

ORTIZ, Renato. Cultura popular: românticos e folcloristas. São Paulo: Olho d’Água, 1992.

SOARES, Gabriela P. Monteiro Lobato, Juan P. Ramos e o papel dos inquéritos folclóricos na formação cultural e política da nação. Varia Historia, Belo Horizonte, v. 31, n. 56, p. 423-448, maio/ago. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0104-87752015000200006. Acesso em: 8 maio 2017.

UNESCO. Recomendação sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular (1989). Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Recomendacao%20Paris%201989.pdf. Acesso em: 19 dez. 2016.

WILLIAMS, Raymond. Cultura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

ZAIDENWERG, Cielo. La ‘argentinización’ de los Territorios Nacionales a través de la educación formal e informal. 2013. Tese (Doutorado em História) – Universidade de Barcelona, Barcelona.

Publicado
2017-09-14
Como Citar
Néia, V. H. S. (2017). O folclore e a escrita da História: a cultura popular como fonte. Resgate: Revista Interdisciplinar De Cultura, 25(1), 203-226. https://doi.org/10.20396/resgate.v25i1.8648158