A presença de escravos carmelitas na Fazenda Capão Alto, no Paraná: questões historiográficas

Palavras-chave: Escravidão. Escravos carmelitas. Fazenda Capão Alto (PR). Fazendas Históricas. Comunidades de Remanescentes de Quilombos.

Resumo

O artigo tem como objetivo coligir questões da historiografia regional relacionadas aos escravos carmelitas da Fazenda Capão Alto (PR), apontar ações cooperativas entre os escravos carmelitas de Castro (PR), contextualizar o arrendamento e a posterior venda dos cativos para o interior de São Paulo e indicar as comunidades de remanescentes de quilombos (CRQs) na região de Castro (PR). O referencial direcionou-se para artigos, dissertações, teses e livros que se valeram de documentos compostos por listas nominativas de habitantes, registros de batismos e casamentos, processos judiciais e cartoriais, jornais e correspondências oficiais. Os escravos carmelitas administraram a Fazenda Capão Alto entre 1770 e 1867. O arrendamento dos escravos, em 1864, causou revolta e resistência. A saída definitiva dos cativos para o interior de São Paulo foi dividida em dois grupos, provavelmente em 1867. No primeiro grupo, 50 escravos foram levados para trabalhar na construção da ferrovia que ligava a cidade de Jundiaí a Campinas. No segundo grupo, foram comercializados 186 escravos da Fazenda Capão Alto ao comendador Francisco Teixeira Vilela, de Campinas (SP). Das comunidades de remanescentes de quilombos (CRQs), na região de Castro (PR), três apresentam descendência de escravos fugidos da Fazenda Capão Alto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Joselia Maria Loyola de Oliveira Gomes, Universidade Estadual de Ponta Grossa
Possui graduação em Licenciatura em História (1994), especialização em História do Paraná (1997), e mestrado em Ciências Sociais (2007), todos pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua como responsável técnica do Centro de Documentação e Pesquisa em História (DEHIS/UEPG). Nas linhas temáticas de atuação estão a história regional, o tropeirismo, as fazendas históricas do Paraná, as fontes para história, a organização de arquivos, os acervos documentais, o patrimônio cultural, a educação patrimonial e a Educação a distância. 

Referências

AUTO DE VIOLÊNCIA sobre os vizinhos moradores de fundos para retomarem a servidão do Maracanã. 01/03/1798. Cópia do Arquivo do Estado de São Paulo. Ordem B0317 D1. Acervo Documental Prof.ª Elizabete Alves Pinto. Caixa 2. Doc. 1. Centro de Documentação e Pesquisa em História. Universidade Estadual de Ponta Grossa.

GAZETA PARANAENSE. Publicação diária nº. 218. Os escravos do Capão Alto. Curitiba, 30 de setembro de 1886. Biblioteca Nacional Digital. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/242896/per242896_1886_00218.pdf. Acesso em: ago. 2015.

INSCRIÇÃO LIVRO TOMBO II Nº. 80, PROCESSO Nº. 82/81, DE 26 DE NOVEMBRO DE 1983. Registro do tombamento estadual da Fazenda Capão Alto, de Castro (PR). Secretaria de Estado da Cultura. Coordenadoria do Patrimônio Cultural. Curitiba (PR).

LISTAS NOMINATIVAS 1801-1830 DA VILA DE CASTRO (PR). Cópia xerografada do Arquivo do Estado de São Paulo. Acervo Documental Prof.ª Elizabete Alves Pinto. Centro de Documentação e Pesquisa em História. Universidade Estadual de Ponta Grossa.

MAFRA, Manoel da Silva [Chefe de Polícia da Província do Paraná]. Carta/ofício a José Joaquim do Carmo [Presidente de Província do Paraná]. Livro de correspondência de autoridades. Cidade, 14 de maio de 1864. [AEPR - Códice 0537. p. 71 a 75]. Transcrição do manuscrito. Pasta Fazenda Capão Alto. Museu do Tropeiro, Castro (PR).

MÜLLER, Daniel Pedro. Ensaio d’um Quadro Estatístico da Província de S. Paulo em 1836. São Paulo: Typographia de Costa Silveira, 1838. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Universidade de São Paulo. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/7101. Acesso em: mar. 2018.

OFICIO PARA O DR. FRANCISCO LEANDRO DE TOLEDO RENDON, OUVIDOR DE PARNAGUÁ. 15 jul. 1785. Publicação oficial de Documentos interessantes para a história e costumes de São Paulo. Ofícios do General Francisco da Cunha Menezes (Governador da Capitania). 1782-1786. São Paulo: Departamento de Arquivo do Estado de São Paulo/Secretaria de Educação, 1961. v. 85. Biblioteca Digital da Universidade Estadual Paulista. Disponível em: http://bibdig.biblioteca.unesp.br/handle/10/59/browse?type=title. Acesso em: jan. 2015.

SILVA, Sebastião Gonçalves da - Chefe de Polícia da Província do Paraná ao Delegado de Castro. Ofício. Livro de correspondências enviadas a autoridades. 21 de abril de 1860. p. 46. Transcrição do manuscrito. Pasta Fazenda Capão Alto. Museu do Tropeiro, Castro (PR).

ARQUIVO PÚBLICO DO PARANÁ. Catálogo seletivo de documentos referentes aos africanos e afrodescendentes livres e escravos. Curitiba: DEAP, 2005. Disponível em: http://www.arquivopublico.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/catalogo_afro.pdf. Acesso em: jan. 2015.

ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo. Introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. 2. ed. rev. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1966. (Coleção Brasiliana, v. 331). Disponível em: http://www.brasiliana.com.br/brasiliana/colecao/obras. Acesso em: jun. 2015.

BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo. (Org.). Dados demográficos: São Paulo do passado 1836/I. Campinas: Nepo/Unicamp, 1998. Disponível em: http://www.nepo.unicamp.br/publicacoes/censos.html. Acesso em: jul. 2015.

BRUNO, Ernani Silva. História e tradições da cidade de São Paulo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1953. v. 2. (Coleção de Documentos Brasileiros, n. 80a).

CARVALHO, Roberta Monique Amancio de; LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Comunidades quilombolas, territorialidades e a legislação no Brasil: uma análise histórica. Política & Trabalho, João Pessoa, n. 39, p. 329-346, out. 2013. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/politicaetrabalho/article/view/12745/9962. Acesso em: maio 2015.

GRUPO DE TRABALHO CLÓVIS MOURA. Disponível em: http://www.gtclovismoura.pr.gov.br. Acesso em: ago. 2015.

GUTIÉRREZ, Horacio. Fazendas de gado no Paraná escravista. Topoi, Rio de Janeiro, v. 5. n. 9, p. 102-127, jul./dez. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/topoi/v5n9/2237-101X-topoi-5-09-00103.pdf. Acesso em: jul. 2015.

INSTITUTO DE TERRAS, CARTOGRAFIA E GEOCIÊNCIAS. Terra e cidadania. Terras e territórios quilombolas. Grupo de trabalho Clóvis Moura. Relatório 2005-2008. Curitiba: ITCG, 2008.v. 3.

MELLO, Kátia Andréia Vieira de. Comportamentos e práticas familiares nos domicílios escravistas de Castro (1824-1835) segundo as listas nominativas de habitantes. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 2004.

MOLINA, Sandra Rita. A morte da tradição: a Ordem do Carmo e os escravos da Santa contra o Império do Brasil (1850-1889). Tese (Doutorado em História Social) - Universidade de São Paulo, São Paulo. 2006.

OLIVEIRA, Joice Fernanda de Souza. Forasteiros no oeste paulista: escravos no comércio interno de cativos e suas experiências em Campinas, 1850/1888. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2013.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Cultura. Coordenadoria do Patrimônio Cultural. Fazenda Capão Alto. Curitiba; Castro: SECE; Kluger Artes, 1985. [Edição corrigida. Reedição da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda]. (Cadernos do Patrimônio, Série Estudos, n. 1).

PEDRAS, Beatriz Junqueira. Uma leitura do I Livro de Tombo do Convento do Carmo em Salvador: Contribuição à construção histórica da Ordem dos Carmelitas na Bahia-Colonial. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2000.

PENA, Eduardo Spiller. O jogo da face, a astúcia escrava frente aos senhores e à lei na Curitiba Provincial. Curitiba: Aos Quatro Ventos, 1999.

PENA, Eduardo Spiller. Burlas à lei e revolta escrava no tráfico interno do Brasil Meridional - século XIX [resumo]. In: ENCONTRO ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO BRASIL MERIDIONAL, 1., 2003, Castro. Anais... [S.l.]: Boletim de História Demográfica, 2003. Disponível em: http://historia_demografica.tripod.com/bhds/bhd30/bhd30.htm. Acesso em: jan. 2015.

PINTO, Elisabete Alves. Vila de Castro: população e domicílios (1801 - 1830). Tese (Doutorado em História Demográfica) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 1992.

RIBEIRO, Maria Alice Rosa. Família Teixeira Vilela e o padrão de riqueza e de endividamento: Campinas/São Paulo, 1850-1873. Núcleos de Pesquisa. Hermes & Clio. São Paulo: FEA/USP, 2012. Disponível em: http://200.144.189.47/feaecon/media/fck/File/MariaAliceRosaRibeiro_FamiliaTeixeiraVilela.pdf. Acesso em: jul. 2015.

RIBEIRO, Maria Alice Rosa. Riqueza e endividamento na economia de plantation açucareira e cafeeira: a família Teixeira Vilela-Teixeira Nogueira, Campinas, São Paulo, século XIX. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 45, n. 3, p. 527-565, jul./set. 2015. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/ee/article/view/56837. Acesso em: nov. 2015.

ROSAS, José Pedro Novaes. A fundação da cidade de Castro. Curitiba: Vicentina, 1972.

SILVA, Leandro Ferreira Lima da. À sombra da ‘última ruína’ regalismo e gestão material na Província de Nossa Senhora do Carmo do Rio de Janeiro. Revista Angelus Novus, São Paulo, v. 4, n. 6, p. 143-162, 2013. Disponível em: http://www.usp.br/ran/ojs/index.php/angelusnovus/article/view/235. Acesso em: set. 2015.

WERNET, Augustin. Crise e definhamento das tradicionais ordens monásticas brasileiras durante o século XIX. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 42, p. 115-131, jan.1997. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/73464. Acesso em: jul. 2015.

Publicado
2018-03-23
Como Citar
Gomes, J. M. L. de O. (2018). A presença de escravos carmelitas na Fazenda Capão Alto, no Paraná: questões historiográficas. Resgate: Revista Interdisciplinar De Cultura, 26(1), 173-190. https://doi.org/10.20396/resgate.v26i1.8649585