Ser mãe numa vila colonial do ouro: vida (re)produtiva das mulheres da Paróquia de Antônio Dias de Ouro Preto, entre 1745 e 1804

Palavras-chave: Registros paroquiais. Lista nominativa de 1804. Fecundidade. Minas Gerais.

Resumo

Este artigo busca verificar, através de dados de 1.400 mães coletados em fontes do período de 1745 a1804, da freguesia de Antônio Dias, pertencente à Ouro Preto, os perfis desse conjunto de mulheres em idade reprodutiva. A base de dados utilizada foi desenvolvida na tese de doutorado de Campos (2012) e é construída a partir da união de registros paroquiais, listas nominativas e livro de tombos – um corpus extremamente rico, que permite entender parte da história dessas mulheres. O método escolhido para análise é o Grade of Membership (GoM), através do qual foi possível inferir quatro perfis “puros” no conjunto de mulheres em estudo, denominados: escravas africanas ou crioulas; mineiras e mulheres de outras partes da colônia; mães do fim do boom aurífero; e primeiras mães de Ouro Preto. Os resultados apontam que a dinâmica econômica teve forte impacto nos comportamentos captados nos quatro perfis delineados.

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Biografia do Autor

Mario Marcos Sampaio Rodarte, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor adjunto do Departamento de Ciências Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) - Face/UFMG, no âmbito do Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica. Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), mestrado em Economia (1999) e doutorado em Demografia (2008) pela mesma Universidade. Tem experiência na área de História Econômica, Demografia, com ênfase em Métodos e Técnicas de Demografia Histórica e Demografia do Mercado de Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: mercado de trabalho, censos históricos e história econômica de Minas Gerais.

Isabella Aparecida de Azevêdo Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais
Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica (NPHED), do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG). Possui graduação em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2012). Atuou, no período de 2012-2014, como Analista de Investimentos, possuindo experiência em Renda Fixa, Renda Variável, Investimentos Estruturados e Multimercados. Atualmente é aluna do curso de pós-graduação em Demografia do Cedeplar, e possui interesse na área de Demografia Histórica e Técnicas de Análise Demográfica.
Michel Cândido de Souza, Universidade Federal de Minas Gerais
Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2013) e mestrado em Economia Aplicada (2016) pela mesma instituição. Atualmente é doutorando em Economia (Cedeplar/UFMG) e professor assistente do Departamento de Ciências Econômicas (DECE) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Possui interesse na área de Economia Aplicada, com ênfase em Macroeconomia e Métodos Quantitativos, atuando principalmente nos seguintes temas: Política Monetária, Series Temporais, Modelos de Equilíbrio Geral Dinâmico Estocástico (DSGE), Crescimento Econômico e Regressão Quantílica.

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Publicado
2018-03-23
Como Citar
Rodarte, M. M. S., Oliveira, I. A. de A., & Souza, M. C. de. (2018). Ser mãe numa vila colonial do ouro: vida (re)produtiva das mulheres da Paróquia de Antônio Dias de Ouro Preto, entre 1745 e 1804. Resgate: Revista Interdisciplinar De Cultura, 26(1), 31-46. https://doi.org/10.20396/resgate.v26i1.8649632