Morte higienizada

as transformações nos velórios rodriguianos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/resgate.v29i1.8661624

Palavras-chave:

Norbert Elias, Nelson Rodrigues, Velórios, Philippe Ariès, Edgar Morin

Resumo

O objetivo do presente artigo é entender de que maneira os escritos de Nelson Rodrigues sobre as transformações da ideia de morte e dos ritos fúnebres na sociedade carioca do século XX dialogam com as discussões empreendidas por teóricos como Edgar Morin, Philippe Ariès e Norbert Elias. Com base em suas memórias e confissões, publicadas nos jornais Correio da Manhã e O Globo nos anos 1960, mais tarde compiladas em livros como A menina sem estrela (1993a), O óbvio ululante (1993b) e A cabra vadia (2007), o trabalho busca compreender a percepção rodriguiana sobre as transformações nas práticas e comportamentos sociais diante da morte no Rio de Janeiro, em que viveu ao longo de décadas.

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Biografia do Autor

Pedro Jorge Lo Duca Vasconcellos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Memória Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Pós-doutorado em Educação na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

José Jairo Vieira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorado em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Publicado

2021-06-10

Como Citar

VASCONCELLOS, P. J. L. D.; VIEIRA, J. J. Morte higienizada: as transformações nos velórios rodriguianos. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 29, n. 1, p. e021005, 2021. DOI: 10.20396/resgate.v29i1.8661624. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8661624. Acesso em: 17 set. 2021.

Edição

Seção

Artigos e Ensaios