Literatura e realidade social em Quarup (1967) de Antonio Callado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/resgate.v29i00.8666054

Palavras-chave:

Literatura, Quarup, Realidade social

Resumo

O artigo discute a importância de Quarup (1967), de Antonio Callado, tomado como romance representativo das contradições presentes na sociedade brasileira na década de 1960, sobretudo a partir do golpe de 1964. Além de situar os traços fundamentais de Quarup, o texto propõe sua articulação com outros romances do autor sobre a ditadura: Bar Don Juan (1971), Reflexos do baile (1976) e Sempreviva (1981). Tal articulação permite compreender o final do romance de 1967 como um sinal de diminuição da expectativa de revolução. Por outro lado, se enfatizarmos exclusivamente o contexto da década de 1960, Quarup pode ser lido como índice da necessária radicalização política diante do horizonte de encurtamento das possibilidades de transformações democráticas.

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Biografia do Autor

José Carlos Freire, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, SC - Brasil). Professor na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, vinculado ao Departamento de Ciências Humanas e Sociais, Campus do Mucuri (Teófilo Otoni, MG - Brasil).

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Publicado

2021-12-30

Como Citar

FREIRE, J. C. Literatura e realidade social em Quarup (1967) de Antonio Callado. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, SP, v. 29, n. 00, p. e021025, 2021. DOI: 10.20396/resgate.v29i00.8666054. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8666054. Acesso em: 13 ago. 2022.