Ser ou não ser (feito de) palhaço?

A performatividade de enunciados que denunciam

Autores

Palavras-chave:

Cena enunciativa, Palhaço, Performatividade, Protestos, Semântica do Acontecimento.

Resumo

A partir de fotografias de manifestações de rua no Brasil (2011-2015) e segundo os pressupostos teóricos da Semântica do Acontecimento (GUIMARÃES, 2005, 2017, 2018), neste artigo, descrevemos o funcionamento da performatividade de enunciados nos quais a designação de palhaço ocorre. Analisamos de que maneira (não) ser palhaço produz a interpretação ergativa (não) ser feito de palhaço ao descrevermos como as cenas enunciativas se configuram no acontecimento de tais enunciados e sua relação com a performatividade. Desse modo, foi possível compreender como um dizer negado pode funcionar como um aviso ou uma denúncia conforme o modo como o Locutor se divide e projeta, a partir de um lugar social de dizer, o lugar daquele a quem destina esse dizer.

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Biografia do Autor

Romulo Santana Osthues, IEL/Unicamp

Doutorando em Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp). Bolsista CNPq.

Mónica Graciela Zoppi Fontana, IEL/NUDECRI - UNICAMP

Doutora em Linguística e professora Livre-Docente do Departamento de Linguística do IEL/Unicamp. É pesquisadora associada do Labeurb e docente do Labjor, ambos vinculados ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp.

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Publicado

2021-10-19

Como Citar

OSTHUES, R. S. .; FONTANA, M. G. Z. . Ser ou não ser (feito de) palhaço? A performatividade de enunciados que denunciam. RUA, Campinas, SP, v. 27, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8667320. Acesso em: 30 nov. 2021.

Edição

Seção

Estudos