População em situação de rua e saúde mental

desafios na construção de um plano terapêutico singular

Palavras-chave: População em situação de rua, Transtorno mental, Grupos de discussão.

Resumo

População em Situação de Rua com transtornos mentais não é um fenômeno recente e tem se inserido nas pautas das políticas públicas no Brasil. Este artigo aborda os desafios vivenciados por equipes da Rede de Atenção Psicossocial da municipalidade de Limeira-SP na construção de um Plano Terapêutico Ideal. Utilizou-se a abordagem metodológica qualitativa, e os Grupos de Discussão como instrumento de coleta de dados. Participaram 10 (dez) servidores públicos municipais atuantes em equipamentos da rede de saúde mental. A análise e interpretação dos dados coletados foram realizadas através do método de análise de conteúdo. Identificou-se que, institucionalizar essa população dentro dos muros dos serviços, como proposta de tratamento, é mantê-la distante de um projeto terapêutico singular de superação de sua condição. Nesse sentido, o conceito de manicômio deve ser amplamente discutido, pois, estabelecer um trabalho em saúde mental restrito aos muros institucionais, aponta que novas formas de manicomização estão sendo estabelecidas nas relações entre Estado e sociedade.

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Biografia do Autor

Rayoni Ralfh Silva Pereira Salgado, Universidade Estadual de Campinas

Mestre em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela UNICAMP. Docente no Instituto Superior de Ciências Aplicadas - ISCA Faculdades - Limeira/SP. 

Marta Fuentes-Rojas, Universidade Estadual de Campinas

Doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas. Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas. 

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Publicado
2018-12-14
Como Citar
Salgado, R. R. S. P., & Fuentes-Rojas, M. (2018). População em situação de rua e saúde mental. Serviço Social E Saúde, 17(2), 250-265. https://doi.org/10.20396/sss.v17i2.8652111
Seção
Artigos