Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Inovação analisa o surgimento da Pintec*

Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Inovação analisa o surgimento da Pintec*

Por Mônica Frigeri

A Pintec (Pesquisa de Inovação) surgiu no Brasil no início dos anos 2000 sendo considerada a primeira pesquisa em nível nacional que buscou produzir indicadores de inovação no país. Por este motivo, muitos pesquisadores se utilizam dos indicadores gerados por esta pesquisa para evidenciar seus estudos e compreender o contexto nacional sobre o tema.

De acordo com o site da própria Pintec [1], “os resultados agregados da pesquisa permitem às empresas, avaliar o seu desempenho em relação às médias setoriais; às entidades de classe, analisar as características setoriais da inovação; e aos governos, desenvolver e avaliar políticas nacionais e regionais”.

A pesquisa desenvolvida pelo aluno de doutorado em Política Científica e Tecnológica Diego Rafael de Moraes Silva e pelo Prof. Dr. André Furtado (Instituto de Geociências/UNICAMP) demonstra a importância de se entender o contexto fundador dos indicadores de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação), o que auxilia na compreensão dos limites e alcances de tais indicadores. Segundo Diego, esse é um entendimento proveniente da sociologia das estatísticas, que nos alerta para o fato de que os indicadores em geral são meras aproximações da realidade, e não a realidade em si, e, portanto é preciso compreender bem o contexto no qual podem ou não ser utilizados.

Diego explica que em síntese, a capacidade de mensuração está estreitamente relacionada com a capacidade de intervenção. Mensura-se algo, porque se quer intervir em algo. Haja vista que hoje há um razoável consenso em torno do impacto da inovação no desenvolvimento econômico e social, é fundamental para qualquer país a mensuração da inovação a fim de se propor e melhorar políticas públicas. Mas como é sublinhado na própria Pintec, empresas e entidades de classe também podem se beneficiar dessa mensuração para aprimorar suas estratégias. Há também a finalidade de expandir o conhecimento sobre determinado fenômeno, ou seja, mensurar para se fazer ciência.

Para os autores, a Pintec é fruto de uma direta e incisiva demanda do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunciação), que a levou a adotar um modelo “híbrido” de survey de inovação, contemplando uma robusta seção acerca das atividades de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), algo incomum nesse tipo de pesquisa. É denominado modelo “híbrido” pelo fato de a seção dedicada à coleta de informações sobre P&D ser notavelmente maior do que nos demais surveys (como o CIS-3 [2], por exemplo).

Como o Brasil foi um retardatário nessas empreitadas estatísticas, a discussão que se tinha quando se pensava a Pintec no início dos 2000 era: fazemos um survey de P&D ou um survey de inovação? A conclusão a que se chegou: vamos fazer um survey de inovação, mas com uma seção consideravelmente maior cobrindo a P&D, para que possamos suprir a falta de um survey de P&D no país. Essa opção envolve vantagens (sobretudo financeira, já que é bem mais barato fazer um único survey em vez de dois) e desvantagens (por mais que exista essa seção robusta cobrindo a P&D na Pintec, ela não é o bastante para obter a informação no nível de detalhe e precisão tal qual um survey de P&D seria capaz fazê-lo), ressalta Diego.

Os autores destacam que a Pintec 2000 gerou relevantes impactos, tanto em termos de produção de conhecimento acerca da inovação no Brasil quanto em termos de possibilidades de sugestões para políticas públicas e gestão empresarial no país.

Notas:
[*] A Pintec é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
[1] Disponível em http://www.pintec.ibge.gov.br/
[2] O CIS – Community Innovation Survey foi o primeiro survey baseado na metodologia do Manual de Oslo da OCDE. É realizado pela Eurostat de dois em dois anos. O CIS-3 foi o questionário que serviu de inspiração pra Pintec 2000.

Referência:
SILVA, Diego Rafael de Moraes; FURTADO, André Tosi. Modelos teóricos e interesses de mensuração no surgimento da pesquisa de inovação brasileira (Pintec). Revista Brasileira de Inovação, Campinas, SP, v. 16, n. 1, p. 97-128, fev. 2017. ISSN 2178-2822. Disponível em: <https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8649141>. Acesso em: 31 jul. 2017. doi:http://dx.doi.org/10.20396/rbi.v16i1.8649141.

 

Como citar este Post:
FRIGERI, Mônica. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Inovação analisa o surgimento da Pintec.  Blog PPEC, Campinas, v.2, n.2, jul. 2017. ISSN 2526-9429. Disponível em: <https://goo.gl/FZnvrU>.  Acesso em: dia mês abreviado ano.

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