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AS HABILIDADES LINGUÍSTICAS DOS REPENTISTAS E SUA RELAÇÃO COM O NÍVEL DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
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Como Citar

ROAZZI, Antonio; OLIVEIRA, Gilda Guimarães; BRYANT, Peter E.; DOWKER, Ann. AS HABILIDADES LINGUÍSTICAS DOS REPENTISTAS E SUA RELAÇÃO COM O NÍVEL DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 26, p. 135–158, 2012. DOI: 10.20396/cel.v26i0.8636818. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8636818. Acesso em: 25 jun. 2024.

Resumo

O presente estudo investiga as habilidades de consciência fonológica entre sujeitos repentistas e não-repentistas. Num estudo anterior nesta mesma área Roazzi, Dowker & Bryant (no prelo) encontraram uma habilidade superior dos repentistas em produzirem rimas em relação aos não-repentistas; além de apresentarem uma velocidade superior na produção da primeira rima. Ao contrário, na tarefa de consciência fonológica – adição e subtração de fonemas – os dois grupos de sujeitos não diferiram de modo significativo. A partir desses resultados, os autores concluíram que as habilidades dos repentistas parecem ser, ao mesmo tempo, altamente desenvolvidas e especializadas, corroborando o ponto de vista de que possa haver dissociações entre rima e algumas outras habilidades linguísticas como a segmentação fonológica. Ao se interpretar essa falta de diferenças em uma tarefa de consciência fonológica é necessário algum cuidado, porque um efeito de quase-teto pode ter obscurecido as reais diferenças entre os dois grupos. Procurando controlar esse efeito teto na tarefa de consciência fonológica, neste estudo sujeitos repentistas e não-repentistas foram avaliados em uma série de tarefas deste tipo com diferentes níveis de dificuldade. Os resultados mostram que as diferenças entre repentistas e não-repentistas aparecem somente nas tarefas de consciência fonológica que envolvem análises fonêmicas e que envolvem, de certa forma, a parte final da palavra. No final são discutidas as possíveis explicações destes resultados para uma melhor compreensão das pesquisas nesta área.

https://doi.org/10.20396/cel.v26i0.8636818
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Referências

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