Banner Portal
A estrutura prosódica das disfluências em português brasileiro
PDF

Palavras-chave

Disfluências. Análise Prosódica. Fala Espontânea.

Como Citar

SCARPA, E. M.; FERNANDEZ-SVARTSMAN, F. A estrutura prosódica das disfluências em português brasileiro. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 54, n. 1, p. 25–40, 2012. DOI: 10.20396/cel.v54i1.8636969. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8636969. Acesso em: 26 fev. 2024.

Resumo

Este artigo trata de buscar as tendências de ocorrência de disfluências (repetições hesitativas e alongamentos vocálicos não-enfáticos) no interior dos domínios prosódicos do enunciado. Usando modelos de Fonologias Prosódica e Entoacional, aplicado a um corpus de um trecho de fala espontânea, verifica-se: (i) que as repetições e alongamentos hesitativos se dão com maior frequência com clíticos prosódicos; (ii) que repetições hesitativas não envolve cabeça de frase fonológica de frase entoacional e, se a repetição hesitativa envolve a palavra fonológica, esta é sempre não cabeça de frase fonológica ou frase entoacional; (iii) que há abaixamento de tessitura do contorno entoacional dos trechos com repetições hesitativas, fenômeno já notado por Viscardi (2012); e (iv) que depois das repetições hesitativas, é grande a incidência de atribuição de configuração tonal de foco encontrada em português brasileiro (H*+L ou L*+H L-). Trechos hesitativos, considerados na literatura como marcas de “disfluência”, fazem parte da dinâmica da fala e da elaboração do texto oral. Se, por um lado, sua ocorrência é imprevisível no discurso (embora cíclica), quando ocorrem, não são aleatórios prosodicamente.
https://doi.org/10.20396/cel.v54i1.8636969
PDF

Referências

ABAURRE, M. B. M. (1996). Acento frasal e processos fonológicos segmentais. Letras de Hoje, v. 31, n. 2, p. 41-50.

ABAURRE, M. B.; GALVES, C.; SCARPA, E. M. (1999). A Interface Fonologia-Sintaxe. Evidências do Português Brasileiro Para Uma Hipótese Top-Down de Aquisição da Linguagem. In: SCARPA, E. M. (Org.). Estudos de prosódia. Campinas: Editora da UNICAMP.

BECKMAN, M. & PIERREHUMBERT, J. (1986). Intonational Structure in Japanese and English. Phonology Yearbook, n. 3, p. 255-310.

BOERSMA, P. & WEENINK, D. (2009). Praat: doing phonetics by computer (Version 5.1.15) [Computer Program]. Retrieved August 30, 2009, from: http//: www.praat.org/.

CRUTTENDEN, A. (1997). Intonation. Cambridge: Cambridge University Press, 2a. edição.

CRUZ, M. (2009). Gaguez. Em busca de um padrão prosódico e entoacional. Dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa.

FERNANDES, F. R. (2007a). Tonal association in neutral and subject-narrow-focus sentences of Brazilian Portuguese: a comparison with European Portuguese. Journal of Portuguese Linguistics, v. 5/6, p. 91-115.

FERNANDES, F. R. (2007b). Ordem, focalização e preenchimento em português: sintaxe e prosódia. Tese (Doutorado em Linguística) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

FINN, P & INGHAM, R. (1991). The selection of “fluent” samples in research on stuttering: conceptual and methodological considerations. In Healey, Ch (org.). Readings on research in stuttering. Nova Iorque: Longman Publishing Group, p. 91-109.

FROTA, S. (2000). Prosody and focus in European Portuguese. Phonological phrasing and intonation. New York: Garland Publishing.

FROTA, S. & VIGáRIO, M. (2000). Aspectos de prosódia comparada: ritmo e entoação no PE e no PB. In: CASTRO, R. V. & BARBOSA, P. (Orgs.) Actas do XV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Coimbra: APL, v.1, p. 533-555.

HAYES, B. & LAHIRI, A. (1991). Bengali intonational phonology. Natural Language & Linguistic Theory, v. 9, n. 1, p. 47-96.

JUN, S-A. (2005). Prosodic Typology – The Phonology of Intonation and Phrasing. New York: Oxford University Press.

KOCH, I. G. V. ; SILVA, M. C. P. S. (1996). Atividades de Composição do Texto Falado: A Elocução Formal. In M. Basílio. (Org.). Gramática do Português Falado IV. Estudos Descritivos. Campinas, Editora da UNICAMP, p. 379-410.

LADD, D. R. (1996). Intonational Phonology. Cambridge: CUP.

LADD, D. R. (2008). Intonational Phonology, 2nd edition. Cambridge: CUP.

LINDBLOM, B. (1990). Phonetic variation and selection. PERILUS XI, p. 65-100.

MARCUSCHI, L. C. (1999). A hesitação. In: NEVES, M. H. de M. (Org.). Gramática do português falado, VII: Novos estudos. Campinas, SP: Editora Unicamp.

MERLO, S. (2006). Hesitações na fala semi-espontânea: análise por séries temporais. Dissertação (Mestrado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.

MERLO, S. (2012). Dinâmica temporal de pausas e hesitações na fala semi-espontânea. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.

NESPOR, M. & VOGEL, I. (1986). Prosodic Phonology. Dordrecht: Foris Publications.

PIERREHUMBERT, J. (1980). The phonology and phonetics of English intonation. Tese (Doutorado em Linguística) - M.I.T., Cambridge, Mass..

SCARPA e FERNANDES-SVARTSMAN - A estrutura prosódica...

PIERREHUMBERT, J. & BECKMAN, M. (1988). Japanese Tone Structure. Cambridge, Mass.: M. I. T. Press.

SCARPA, E. M. (2006). (Ainda) sobre o sujeito fluente. In Lier-de-Vitto, M.F. (org.). Sobre a Aquisição, Patologias e Clínica de Linguagem. Sâo Paulo, Editora da PUC-SP. p. 161-180.

SCARPA, E. M. (1995). Sobre o sujeito fluente. Cadernos de Estudos Lingüísticos, 29, Campinas, p. 163-184.

SCARPA, E. M. (1987). Aquisicao da Linguagem e Aquisicao da Escrita: Continuidade Ou Ruptura?. Estudos Lingüísticos v. XIV, p. 118-129.

SCLIAR-CABRAL, L.; MARTIM, E. & CHIARI, B. (1981). Fenômenos de pausa e hesitação em língua portuguesa. Anais do IV Encontro Nacional de Linguística, PUC- RJ, setembro de 1981.

SELKIRK, E. O. (2000). The interaction of constraints on prosodic phrasing. In: Horne, M. (Ed.). Prosody: Theory and Experiment. Netherlands: Kluwer Academic Publishers, p. 231-261.

SELKIRK, E. O. (1986). On derived domains in sentence phonology. Phonology Yearbook, n. 3, p. 371-405.

SELKIRK, E. O. (1984). Phonology and Syntax: The Relation between Sound and Structure. Cambridge: The M.I.T. Press.

SERRA, C. R. (2009). Realização e percepção de fronteiras prosódicas no português do Brasil: fala espontânea e leitura. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

TENANI, L. E. (2002). Domínios prosódicos no Português. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.

TENANI, L. E. & FERNANDES-SVARTMAN, F. R. (2008). Prosodic phrasing and intonation in neutral and subject-narrow-focus sentences of Brazilian Portuguese. In: Fourth Conference on Speech Prosody 2008, 2008, Campinas. Proceedings of Fourth Conference on Speech Prosody 2008. Campinas: RG/CNPq, p. 445-448.

TRAVAGLIA, L. C. (2006). O relevo no processamento da informação. In:

JUBRAN, C. C. A. S.; KOCH, I. G. V. (orgs) Gramática do português culto falado no Brasil: construção do texto falado. Campinas: Editora da UNICAMP, p. 167-215.

VIGÁRIO, M. (1998). Aspectos da Prosódia do Português Europeu: estruturas com advérbio de exclusão e negação frásica. Braga: CEHUM.

VIGÁRIO, M. & FERNANDES-SVARTMAN, F. R. (2010). A atribuição de acentos tonais em compostos no português do Brasil. In: BRITO, A. M.;

SILVA, F.; VELOSO, J.; FIÉIS, A. (Orgs.) XXV Encontro da Associação Portuguesa de Linguística – Textos Seleccionados. Porto: Tip. Nunes, Ltda - Maia, v. 1, p. 769-786.

VISCARDI. J. (2012). Repetições hesitativas na fala afásica e não-afásica. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.

O periódico Cadernos de Estudos Linguísticos utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.

Downloads

Não há dados estatísticos.