A propósito da violência na linguagem

Autores

  • Daniel Nascimento Silva Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
  • Claudiana Nogueira de Alencar Universidade Estadual do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v55i2.8637294

Palavras-chave:

Violência Linguística. Vitalismo. Atos de Fala.

Resumo

Este artigo apresenta um panorama do problema da violência nos estudos sobre a significação. Apontamos que a violência não é um traço acidental no uso da língua: a violência tanto oblitera o significado quanto gera, talvez como efeito perlocucionário, novas possibilidades de significação. O artigo propõe inicialmente uma crítica à posição vitalista nos estudos da linguagem. Em seguida, o trabalho propõe, numa visada pragmática, uma definição para violência linguística. Chamamos de violentos os usos linguísticos que posicionam o outro – especialmente aquele que representa a raça, o gênero, a sexualidade e o território que não se quer habitar – num lugar vulnerável. Trata-se de usos que atingem o sujeito em seu ponto mais frágil, a sua condição. O artigo finalmente analisa a mediação de um caso recente de crime de racismo, uma instância de uso violento da língua.

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Biografia do Autor

Daniel Nascimento Silva, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Escola de Letras da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Claudiana Nogueira de Alencar, Universidade Estadual do Ceará

Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará

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Publicado

2013-12-19

Como Citar

SILVA, D. N.; ALENCAR, C. N. de. A propósito da violência na linguagem. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 55, n. 2, p. 129–146, 2013. DOI: 10.20396/cel.v55i2.8637294. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8637294. Acesso em: 4 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos