Identidade nacional e exclusão racial

Autores

  • Jose Luiz Fiorin Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646154

Palavras-chave:

Triagem. Mistura. Abolicionismo. Preconceito racial. Branqueamento

Resumo

Proclama-se, com muita frequência, que, no Brasil não há racismo, porque somos uma sociedade mestiça, fundada, pois, na mistura. Este trabalho pretende mostrar que essa autodescrição da cultura brasileira encobre, de fato, um racismo profundamente arraigado na formação social brasileira, porque a mistura não prescinde da existência de triagens, ou seja, há elementos que não são aceitos na mistura. Analisando romances do século XIX que defendiam os ideais abolicionistas ou que vergastavam os preconceitos contra os mulatos, revela-se que eles contêm, em sua organização semântica de base, ideias racistas. A defesa dos ideais abolicionistas e o combate ao preconceito contra os mulatos não significam o acolhimento dos valores da negritude dentro da concepção de mistura com que se pensa a nação brasileira. O branqueamento, considerado uma melhoria da conformação racial brasileira, deixa subentendido que nossa sociedade se organizou sobre as bases da exclusão e não da participação racial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jose Luiz Fiorin, Universidade de São Paulo

Professor Associado do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Referências

ALENCAR, J. de (1995). O guarani. 19 ed. São Paulo: Ática.

ALENCASTRO, L. F. de (1997). Vida privada e ordem privada no Império. In: ALENCASTRO, L. F. de (org.). História da Vida Privada no Brasil: Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Cia. das Letras, v. 2, p. 11-93.

ANDRADE, O. de (1976). “O manifesto antropófago”. In: TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas. 3a ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL.

AZEVEDO, A. (1973) O mulato. São Paulo: Livraria Martins Editora.

BOSI, A. (1975). História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix.

BOSI, A. (1992). Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras.

FONTANILLE, J. e ZILBERBERG, C. (2001). Tensão e significação. São Paulo: Discurso Editorial/Humanitas.

FREYRE, G. (s.d.). Casa-grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Círculo do Livro.

GUIMARÃES, Bernardo (1979). A escrava Isaura. São Paulo: Ática.

IANNI, O. (1962). As metamorfoses do escravo. São Paulo: Difusão Européia do Livro.

LANDOWSKI, E. (s.d.). Presenças do outro: ensaios de sociossemiótica. São Paulo: Perspectiva.

MACEDO, J. M. de (2010). As vítimas algozes: quadros da escravidão. São Paulo: Companhia das Letras.

MÉRIAN, J.-Y. (1988). Aluísio Azevedo, vida e obra. Rio de Janeiro/ Brasília: Espaço e Tempo/Instituto Nacional do Livro

Downloads

Publicado

2016-04-05

Como Citar

FIORIN, J. L. Identidade nacional e exclusão racial. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 58, n. 1, p. 63–75, 2016. DOI: 10.20396/cel.v58i1.8646154. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8646154. Acesso em: 8 dez. 2021.