O papel dos frames na organização do tópico discursivo e na coesividade comunicacional na interação entre afásicos e não afásicos

Autores

  • Edwiges Maria Morato Universidade Estadual de Campinas
  • Erik Fernando Martins Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Natália Luisa Ferrari Universidade Estadual de Campinas
  • Rafaela Defendi Mariano Universidade Estadual de Campinas
  • Rafahel Parintins Lima Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v59i1.8648347

Palavras-chave:

Frames. Tópico discursivo. Referenciação.

Resumo

Postulamos em nosso estudo que modelos cognitivos de tamanho e escopo diferentes, como contextos mentais e frames, base do envolvimento e do enquadramento das interpretações levadas a cabo pelos indivíduos em interação, funcionariam como face sociocognitiva da referência. Em outros termos, enquadres sociocognitivos são tão importantes quanto as expressões referenciais para a manutenção, a continuidade e a gestão do tópico, bem como para a coerência discursiva e a coesividade comunicacional. As perguntas teóricas que nortearam nosso estudo foram: (i) como a instauração e a mobilização de frames (re)organizam o desenvolvimento do tópico discursivo? (ii) como os frames atuam na construção da referenciação (sobretudo, mas não só) no contexto das afasias? Entre os resultados obtidos, ressaltamos que os interagentes afásicos e não afásicos realizam um percurso discursivo sociocognitivamente ancorado em construções referenciais, em processos de centração e de organicidade inter e intratópica, em frames localmente ativados e construídos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Edwiges Maria Morato, Universidade Estadual de Campinas

Professora Dra. no Departamento de Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Campinas.

Erik Fernando Martins, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Colaborador no Departamento de Linguintica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Natália Luisa Ferrari, Universidade Estadual de Campinas

Pós-graduanda em Linguística na Universidade Estadual de Campinas

Rafaela Defendi Mariano, Universidade Estadual de Campinas

Universidade Estadual de Campinas (Pós-graduação em Linguística)

Rafahel Parintins Lima, Universidade Estadual de Campinas

Universidade Estadual de Campinas (Pós-graduação em Linguística)

Referências

CIENKI, A. Frames. Idealized cognitive models and domains. In: GEERAERTS, D.; CUYCKENS, H. (Eds.). The Oxford handbook of cognitive linguistics. Oxford: Oxford University Press, 2007.

CROFT, W; CRUSE, D. A. Cognitive Linguistics. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

ENSINK, T.; SAUER, C. Social-functional and cognitive approaches to discourse interpretation: the role of frame and perspective. In: Framing and perspectivising in discourse. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 2003, p.1-22.

FILLMORE, C. J. Frame semantics. Linguistics in the morning calm: selected papers from SICOL-1981 (The linguistic society of Korea). Seoul: Hanshin Publishing Company, 1982.

GOFFMAN, E. Interaction ritual: Essays in face to face behavior. New York, 1967. GUMPERZ, J. J. Discourse strategies. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

HAMILTON, H. E. Conversations with an Alzheimer’s patient. Cambridge University Press, 1994.

JAKOBSON, R. Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia. In: Linguística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, 1981 [1954].

JEFFERSON, G. Transcription notation. In: ATKINSON, J.; HERITAGE, J. (Eds). Structures of social interaction. New York: Cambridge University Press, 1984. JUBRAN, C.C.A.S. Revisitando a noção de tópico discursivo. Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 48(1), Campinas, 2006, p. 33-41.

JEFFERSON, G.; et al. Organização tópica da conversação. In: ILARI, R. (Org.). Gramática do Português Falado. Campinas: Editora da Unicamp, v. II: Níveis de análise linguística, 1992, p. 357-439.

KAMP, H. Representing de se thoughts and their reports. Ms. Austin/Stuttgart, 2011. http://nasslli2012.com/files/kamp_2011.pdf.

KERBRAT-ORECCHIONI, C. Texte et contexte. SCOLA - Sciences Cognitives, Linguistique & Intelligence Artificielle 6, 1996, p. 40-59.

KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.

KOCH, I. G. Introdução à linguística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

KOCH, I. G.; MARCUSCHI, L. A. Processos de referenciação na produção discursiva. DELTA, v. 14: special issue. São Paulo, 1998, p. 169-190.

KOCH, I. G.; PENNA, M. A. Construção/reconstrução de objetos-de-discurso: manutenção tópica e progressão textual. Caderno de Estudos Linguísticos, n. 48(1), 2006, p. 23-31. LAKOFF, G. Women, fire, and dangerous things: what categories reveal about the mind. Chicago: The University of Chicago Press, 1987.

KOCH, I. G.. Don’t Think of an Elephant: know your values, frame the debate. Vermont: Chelsea Green Publishing, 2004.

MARCUSCHI, L. A. Análise da conversação. São Paulo: Ática, 1987.

MARCUSCHI, L. A.. Atos de referenciação na interação face a face. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 41, Campinas, 2001, p. 37-54.

MARCUSCHI, L. A.. Anáfora indireta: o barco textual e suas âncoras. In: KOCH, I. V.; MORATO, E. M.; BENTES, A. C. Referenciação e Discurso. São Paulo: Contexto, 2005, p. 53-101.

MARCUSCHI, L. A. Referenciação e progressão tópica: aspectos cognitivos e textuais. Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 48(1), Campinas, 2006, p. 7-22.

MIRANDA, N. S.; BERNARDO, F. C. Frames, discurso e valores. Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 55(1), p. 81-97. Campinas, 2013.

MONDADA, L. Temporalité, séquentialité et multimodalité au fondement de l’organisation de l’interaction: Le pointage comme pratique de prise du tour. In: FILLIETTAZ, L. (ed.). Les modèles du discours face au concept d’action. Cahiers de Linguistique Française, n. 26, 2004, p. 269-292.

MORATO, E.M. (org.). A semiologia das afasias: perspectivas linguísticas. São Paulo: Cortez, 2010a.

MORATO, E.M. A noção de frame no contexto neurolinguístico: o que ela é capaz de explicar? Cadernos de Letras da UFF. Dossiê: letras e cognição, n. 41, 2010b, p. 93-113.

MORATO, E.M. Neurolinguística. In: MUSSALIM, F. e BENTES, A.C. (orgs.). Introdução à Linguística: Domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2012 [2001]. pp. 167-200.

MORATO, E.M; BENTES, A. C. Frames em jogo na construção discursiva e interativa da referência. Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 55(1), Campinas, 2013, p. 125-137. SCHWARZ, M. Indirekte Anaphern in Texten. Tübingen: Niemeyer, 2000. TOMASELLO, M. A natural history of human thinking. Cambridge: Harvard University Press, 2014.

VAN DIJK, T. Cognição, discurso e interação. São Paulo: Contexto, 1992 [1988].

VAN DIJK, T. Discurso e contexto: uma abordagem sociocognitiva. São Paulo: Contexto, 2012 [2008].

VEREZA, S. Entrelaçando frames: a construção do sentido metafórico na linguagem em uso. Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 55(1), Campinas, 2013, p. 109-122.

Downloads

Publicado

2017-04-26

Como Citar

MORATO, E. M.; MARTINS, E. F.; FERRARI, N. L.; MARIANO, R. D.; PARINTINS LIMA, R. O papel dos frames na organização do tópico discursivo e na coesividade comunicacional na interação entre afásicos e não afásicos. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 59, n. 1, p. 91–110, 2017. DOI: 10.20396/cel.v59i1.8648347. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8648347. Acesso em: 30 nov. 2021.

Edição

Seção

A questão da referência e do contexto na interface multimodal cognição-discurso-interação

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>