Predicados estativos e os tipos de deôntico: Ought-to-do e Ought-to-be

Autores

  • Núbia Ferreira Rech Universidade Federal de Santa Catarina
  • Giuseppe Varaschin Universidade Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i1.8649271

Palavras-chave:

Modalidade deôntica. Predicados estativos. Traço [±controle].

Resumo

Neste artigo, investigamos a natureza dos estativos que formam sequência com deônticos. Nosso objetivo foi avaliar o papel que as propriedades desses predicados sob o escopo do modal desempenham na sua interpretação. Apresentamos evidências do português brasileiro e do Paresi (Brandão 2014) para a postulação de estados passíveis de controle. Essa divisão da classe dos estativos, já sinalizada por Parsons (1990) e Basso e Ilari (2004), possibilitou rastrear diferenças entre dois tipos de deônticos: ought-to-do e ought-to-be, separação assumida por Brennan (1993) e Hacquard (2006). Constatamos que os primeiros funcionam apenas com estativos controláveis, enquanto os últimos funcionam com todos os tipos de estativos; manifestam, entretanto, restrição relativa à leitura do DP. Essas evidências fornecem respaldo adicional à hipótese aventada em Rech e Giachin (2014) e Pires de Oliveira e Rech (2016), segundo a qual a definição da modalidade está atrelada às propriedades do predicado sob o escopo do modal.

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Biografia do Autor

Núbia Ferreira Rech, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística e do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina e líder do grupo de pesquisa Teoria da Gramática e o Português Brasileiro. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, investigando principalmente os seguintes temas: aspecto e modalidade.

Giuseppe Varaschin, Universidade Federal de Santa Catarina

Cursa o doutorado em Linguística na UFSC. Atua nas áreas de Filosofia da Linguagem, Semântica, Pragmática e Sintaxe. Está atualmente pesquisando a semântica e a pragmática da conjunção "e" no português brasileiro segundo o quadro da Semântica Conceitual de Jackendoff (1983, 1990, 2002).

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Publicado

2018-04-06

Como Citar

RECH, N. F.; VARASCHIN, G. Predicados estativos e os tipos de deôntico: Ought-to-do e Ought-to-be. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 1, p. 159–177, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i1.8649271. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8649271. Acesso em: 3 dez. 2021.