Um rascunho para a semântica de muito: explorando a Semântica de Delineação

Autores

  • Roberta Pires de Oliveira Universidade Federal de Santa Catarina
  • Luisandro Mendes de Souza Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i1.8649812

Palavras-chave:

Semântica de delineação. Modificação verbal. Eventos.

Resumo

Este artigo propõe uma semântica para muito modificador de verbos.  Essa proposta estende a Semântica de Delineação (KLEIN, 1980; BURNETT, 2014; 2015) para o domínio dos eventos. muito P, em suas várias manifestações (modificando verbos, adjetivos ou nomes), é uma função que denota o conjunto dos que estão na extensão positiva do predicado. A análise assume que há eventos na ontologia (PARSONS, 1990), que se estruturam em reticulados (KRIFKA, 1983; ROTHSTEIN, no prelo). A comparação com advérbios como a lot (‘muito’; inglês) e beaucoup (‘muito’; francês) mostra esses modificadores compartilham leituras (frequência, duração e quantidade de objetos ou suas partições) e restrições (i.e. não se combinam com accomplishments). Com estados, esses advérbios produzem leitura de intensidade, porque estados são de-adjetivais e adjetivos ordenam os objetos em extensões positivas, negativas ou vagas. Explicamos as leituras e as restrições assumindo que muito pressupõe mais de um (de eventos, de momentos no tempo, de objetos ou porções de objetos) e opera sobre ordenações dadas na ontologia, mas indicadas contextualmente pela classe de comparação. 

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Biografia do Autor

Roberta Pires de Oliveira, Universidade Federal de Santa Catarina

Pesquisador CNPq

Luisandro Mendes de Souza, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Licenciado em Letras (Português e Inglês) pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória (2003). Mestre (2006) e doutor (2010) em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. 

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Publicado

2018-04-06

Como Citar

OLIVEIRA, R. P. de; SOUZA, L. M. de. Um rascunho para a semântica de muito: explorando a Semântica de Delineação. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 1, p. 222-241, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i1.8649812. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8649812. Acesso em: 28 nov. 2020.