O sincretismo do morfema -r em latim

ausência de caso e incorporação pós-sintática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8661612

Palavras-chave:

Sincretismo, Morfologia passiva, Incorporação

Resumo

Este trabalho investiga o sincretismo da morfologia passiva em latim. Nessa língua, o sufixo que realiza a voz passiva (default: -r) também é encontrado em construções impessoais, anticausativas, contextos médios e verbos depoentes. Parte-se dos trabalhos de Schäfer (2008) e Lazzarini-Cyrino (2015) e, sob o modelo da Morfologia Distribuída (HALLE & MARANTZ, 1993; MARANTZ, 1997), apresenta-se uma proposta de derivação que postula que a marca sincrética é um argumento verbal não referencial – uma variável – incorporado ao verbo pós-sintaticamente. Os diversos contextos interpretativos em que a marca aparece resultam da posição original que esse argumento ocupava e da sua interação com diferentes sabores de Voice (FOLLI & HARLEY, 2005). Sendo a variável um argumento externo, não há outro DP para ela se ligar, e ela fica sem papel-θ e Caso. Sem papel-θ, a variável é lida como um expletivo em LF. A ausência de Caso, por sua vez, é um problema para PF (LEVIN, 2015) e, para que a derivação não seja perdida, a variável se incorpora ao domínio verbal via Deslocamento Local, nos termos de Levin (2015). A voz passiva e os impessoais resultam da incorporação da variável na posição de argumento externo de um VoiceDO. A mesma configuração, mas com um VoiceCAUSE, gera os anticausativos. Nos contextos médios, a variável também nasce na posição de argumento externo, mas é o argumento de um núcleo Appl (PYLKKÄNEN, 2008) que é promovido a sujeito sintático. Os depoentes se dividem em três tipos: propõe-se que os agentivos são, em verdade, médios, sendo derivados como eles; os depoentes de sujeitos experienciadores projetam esse argumento via um núcleo específico que chamamos de EXP e a variável ocupa a posição de argumento externo canônico; depoentes anticausativos resultam da incorporação do argumento de Appl ou EXP, mas em uma estrutura sem Voice.

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Biografia do Autor

Lydsson Agostinho Gonçalves, Universidade Federal de Juiz de Fora

Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Paula Roberta Gabbai Armelin, Universidade Federal de Juiz de Fora

Professora Adjunta da Universidade Federal de Juiz de Fora , Brasil.

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Publicado

2021-04-14

Como Citar

GONÇALVES, L. A.; ARMELIN, P. R. G. O sincretismo do morfema -r em latim: ausência de caso e incorporação pós-sintática. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021007, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8661612. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8661612. Acesso em: 16 set. 2021.

Edição

Seção

Dossiê morfologia e sintaxe formais e fenômenos de interface