Português brasileiro

língua de sujeito nulo 'parcial'?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8661660

Palavras-chave:

Mudança paramétrica, Línguas de sujeito nulo consistente, Línguas de sujeito nulo parcial

Resumo

O artigo se desenvolve em torno de dois pontos principais. O primeiro consiste em apresentar evidências de que a mudança sintática em direção a sujeitos pronominais expressos observada no português brasileiro não é um fenômeno estável; pelo contrário, nossos resultados empíricos permitem acompanhar a mudança paramétrica em progresso e identificar a perda progressiva de propriedades cruciais relacionadas a línguas de sujeito nulo ‘consistente’. A análise contrastiva com o português europeu mostra os contextos estruturais mais fortes e os mais fracos nessa luta em direção a pronomes-sujeito expressos. As sentenças pessoais (com sujeitos definidos e ‘indeterminados’ – arbitrários e genéricos, usualmente referidos na literatura gerativa como “impessoais”) são analisadas em maior detalhe do que as que consideramos impessoais, que incluem uma variedade maior de estruturas, com verbos climáticos, existenciais e inacusativos. Mostraremos, entretanto, que elas são profundamente afetadas pela remarcação do valor do Parâmetro do Sujeito nulo. A seguir, faremos uma breve comparação entre o português brasileiro e o finlandês, concluindo que o português brasileiro não parece se encaixar no grupo das chamadas línguas de sujeito nulo ‘parcial’, que parecem exibir sujeitos nulos em contextos muito restritos, têm um expletivo lexical em aparente variação com sujeitos nulos genéricos bem como em sentenças impessoais, que parece ser inserido para evitar sentenças com um verbo em posição inicial. 

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Biografia do Autor

Maria Eugenia Lamoglia Duarte, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. Professora Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Juliana Esposito Marins, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Adjunto (Letras Vernáculas) na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Publicado

2021-10-27

Como Citar

DUARTE, M. E. L.; MARINS, J. E. Português brasileiro: língua de sujeito nulo ’parcial’?. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021021, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8661660. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8661660. Acesso em: 9 dez. 2021.

Edição

Seção

Dossiê morfologia e sintaxe formais e fenômenos de interface