A voz enlutada na tragédia grega

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8665173

Palavras-chave:

Tragédia Grega, Voz, Luto

Resumo

O artigo propõe reflexão sobre o modo como a tragédia grega inscreveu em seus textos a presença daquilo que chamamos de “voz enlutada”. Trata-se da materialização, em uma emissão vocal genérica, da dor de uma perda fundamental que rege a vida do sujeito. Para nós, tal perda está associada àquela que a psicanálise descreve como primeira vivência de satisfação experimentada no laço com o Outro. Para sempre perdida, tal vivência é expressada na tragédia sob a forma da interjeição aîaî. Apresentando-se como um desdobramento do advérbio aeí (sempre) derivado de aion (força vital), o grito aîaî parece expressar a dor de um "para sempre" perdido que aos poucos se constitui como o próprio ato de perder. A tentativa de reencontro do objeto, a partir desta perda fundamental, será para sempre representado por Outra coisa.

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Biografia do Autor

Tiago Sanches Nogueira, Universidade de São Paulo

Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP). Membro do Laboratório de Psicanálise, Sociedade e Política (PSOPOL-USP). Santo André-SP.

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Publicado

2021-11-29

Como Citar

NOGUEIRA, T. S. A voz enlutada na tragédia grega. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021036, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8665173. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665173. Acesso em: 21 jan. 2022.

Edição

Seção

Versões do luto: análise do discurso e psicanálise