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Fake news como produção textual disruptiva
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Fake news
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Campo jornalístico

Como Citar

BENTES, A. C.; SOUZA-SANTOS, J. E. de. Fake news como produção textual disruptiva: os abalos nos campos sociais. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 65, n. 00, p. 023014, 2023. DOI: 10.20396/cel.v65i00.8673341. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8673341. Acesso em: 24 fev. 2024.

Resumo

Neste artigo, pretendemos apresentar uma abordagem textual-discursiva das fake news, postulando que elas são práticas comunicativas estruturadas por meio de uma produção textual em larga escala, produção essa concebida no/ e incorporada tanto ao campo jornalístico quanto ao campo político. Ao mesmo tempo em que exploram as características textuais-discursivas da produção simbólica desses campos, as fake news contribuem para a sua deterioração, ao construírem a suspeição sobre a legitimidade das instituições em geral, dos agentes do Estado e, no caso do Brasil, também sobre os procedimentos eleitorais e sanitários. Ao mesmo tempo em que buscam a deterioração especialmente dos campos jornalístico e político, os atores sociais responsáveis por essa produção textual massiva também buscam estabelecer a inserção e a legitimação de novos atores e de outras trajetórias nesses campos, especialmente por meio da desintermediação, instaurando um ambiente de disputa de “vida ou morte” no espaço social, disputa esta que parece estar em seu ápice no Brasil. Nesse sentido, a produção textual massiva constitui-se como um importante instrumento tanto para manter esse ambiente de disputa quanto também para dar continuidade aos processos de inserção e de legitimação/ deslegitimação dos diversos atores nos/dos diversos campos sociais.  

https://doi.org/10.20396/cel.v65i00.8673341
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