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A mudez da escuta e o encanto das palavras
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Palavras-chave

Playback
Xamanismo
Encantamento

Como Citar

SOUZA, Maurício Augusto Perussi de. A mudez da escuta e o encanto das palavras: Virgin Suicides, de Susanne Kennedy. Conceição/Conception, Campinas, SP, v. 11, n. 00, p. e022009, 2022. DOI: 10.20396/conce.v11i00.8671106. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conce/article/view/8671106. Acesso em: 21 abr. 2024.

Resumo

O artigo examina o espetáculo Virgin Suicides (2017), concebido pela encenadora alemã Susanne Kennedy para o Münchner Kammerspiele. Partindo do livro homônimo de Jeffrey Eugenides, do Livro tibetano dos mortos e do áudio Psychedelic Experience (1964), de Timothy Leary, a encenadora explora ao limite três de seus estilemas mais recorrentes: o playback, as vozes acusmáticas e as máscaras. É também nesse trabalho que Kennedy evidencia o anseio de aproximar a prática do encenador de algo semelhante a um xamanismo e, assim, de pôr em prática o seu “Teatro Cósmico”. A proposta do artigo é mergulhar na experiência fenomenológica de assistir a Virgin Suicides para, a partir da eleição de fragmentos significativos, examinar o xamanismo perseguido por Kennedy, dando especial atenção às funções desempenhadas pelas vozes gravadas que ressoam em toda a encenação. A investigação tem por base a hipótese de que Kennedy elabora um sistema encantatório de vozes acusmáticas, gerador de espaços-tempo intensivos, que seduzem/conduzem a atenção do espectador, fazendo-o, desse modo, reconhecer-se como portador do princípio ativo que ativa o poder encantatório das palavras que ouve.

 

https://doi.org/10.20396/conce.v11i00.8671106
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