Judô paraolímpico: comparações e reflexões sobre as realidades de diferentes seleções femininas

Autores

  • Mariana Simões Pimentel Gomes Universidade Estadual de Campinas
  • Marcio Pereira Morato Universidade Estadual de Campinas
  • José Júlio Gavião Almeida Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/conex.v9i2.8637702

Palavras-chave:

Direitos da mulher. Artes marciais. Cegueira.

Resumo

Com o intuito de entender o fenômeno mulheres com deficiência inseridas no esporte paraolímpico, especificamente no Judô, buscamos comparar as realidades de atletas brasileiras e estrangeiras, a partir de uma perspectiva sócio-cultural. Este é um estudo de cunho qualitativo que recorreu à análise de enunciação, uma das técnicas da Análise de Conteúdo para tratamento e interpretação de seus dados. Realizamos entrevistas semi-estruturadas com atletas de seleções nacionais de quatro países diferentes (Brasil, Estados Unidos, Suécia e Inglaterra). As questões de gênero parecem não incomodar as entrevistadas, em relação à deficiência ainda existe certo desconforto e sensação de preconceito alheio, entretanto, o fato de representarem o próprio país tende a inverter a imagem de pessoa em desvantagem para uma atleta de judô com potencialidades, independentemente de sua origem. As realidades analisadas refletem o contexto sócio-cultural das atletas e apontam para suas dificuldades, entretanto, os paradigmas de rótulos e preconceitos quanto ao gênero, deficiência, lutas e alto rendimento estão sendo ressignificados, cada um a seu modo, em consonância com seu contexto cultural.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Simões Pimentel Gomes, Universidade Estadual de Campinas

É doutoranda em Atividade Física Adaptada pela Faculdade de Educação Física da UNICAMP, mestre na área de concentração Atividade Física Adaptação e Saúde pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (FEF-UNICAMP). Licenciada e bacharel em Educação Física pela mesma faculdade. Bolsista do programa Santander de Mobilidade internacional na Universidade da Coruña - Espanha (UDC) 2007/2008. É árbitra internacional de goalball (Nível2) e desenvolve projetos na linha de pesquisa atividade física para pessoas com necessidades especiais, Pedagogia do Esporte e Ensino das Lutas. Atualmente está no Institut de Formation de Maîtres da Universidade Toulouse-França, realizando estágio sanduíche em Didática dos Esportes de Combate

Marcio Pereira Morato, Universidade Estadual de Campinas

Mestre e doutorando na área de concentração Atividade Física, Adaptação e Saúde e na linha de pesquisa Atividade Física para Pessoas com Necessidades Especiais pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (FEF-UNICAMP). Bacharel e licenciado em Educação Física também pela FEF-UNICAMP. Coordenador nacional de Goalball junto ao Comitê Paraolímpico Brasileiro e técnico da seleção brasileira feminina da modalidade. Professor do Projeto Paraolímpicos do Futuro Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). Autor e organizador de livros didáticos e infantis sobre a temática das pessoas com deficiência. Pesquisador nas áreas: pessoas com deficiência, pedagogia dos esportes, esportes coletivos e aspectos antropológicos.

José Júlio Gavião Almeida, Universidade Estadual de Campinas

Possui graduação em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1982), Mestrado em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba (1992) e Doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (1995). Atualmente é Professor Assistente Doutor da Universidade Estadual de Campinas; Coordenador da Comissão Científica da Academia Paraolímpica - CPB. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Educação Física Adaptada, atuando principalmente nos seguintes temas: deficiência visual, orientação e mobilidade, educação física escolar e Lutas.

Referências

ANDERSON, J. E. Women and sport psychology: an applied perspective. In: PUHL, J.; BROWN, C. H.; VOY, R. O. (Eds.). Sport science perspectives for women. Colorado: Springer, 1985.

HOBSBAWM, E. A nova mulher. In: HOBSBAWM, E (Org.). A Era dos impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

DUNNING, E. Sport matters: sociological studies of sport violence and civilization. London: Routledge, 1999.

ALONSO, L. K. Mulher, corpo e mitos no esporte. In: SIMÕES, A. C. (Org.). Mulher e

esporte mitos e verdades. São Paulo: Manole, 2003.

LANE, S. T. M. Usos e abusos do conceito de representação social. In: SPINK, M. J. (Org.).

O conhecimento do cotidiano. São Paulo: Brasiliense, 1993.

CIDADE, R. Atletas paraolímpicas: figurações e sociedade contemporânea. 2004. 248 f.

Tese (Doutorado em Educação Física) - Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual

de Campinas, Campinas, 2004.

STEFANE, C. et al. Esporte adaptado, Paraolimpíadas e Olimpíadas Especiais. In:

DACOSTA (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005. p. 645-649.

COSTA, A. M. Relatório da chefia de delegação. In: COMITÊ PARAOLÍMPICO

BRASILEIRO. Relatório geral. Brasília, 2005.

DEPAUW, K.; GAVRON, S. J. Disability and sport. Champaign: Human Kinetics, 1995.

AMARAL, L. Deficiência: questões conceituais e alguns de seus desdobramentos. Cadernos de Psicologia da USP, n. 1, 1996. p. 3-12.

OLIVEIRA FILHO, C. W. Relatório da equipe paraolímpica de atletismo brasileira nos XII Jogos Paraolímpicos de Atenas. In: COMITE PARAOLIMPICO BRASILEIRO. Relatório geral. Brasília, 2005.

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS PARA CEGOS (CBDC). Classificação visual. Disponível em: http://www.cbdc.org.br/novo_site/index.php?idmenu=26&codtipoconteudo=4. Acesso em:

set. 2009.

BENITO, J. Nuevas tecnologias aplicadas a los deportes para ciegos y deficientes visuales. Barcelona: Espanha, 1996.

INTERNATIONAL BLIND SPORTS FEDERATION (IBSA). Judo. Disponível em: http://www.ibsa.es/eng/deportes/judo/presentacion.htm. Acesso em: 20 out. 2009.

MATARUNA, L. et al. Analysing the brazilian judo team participation in the Athens Paralympic Games. In: EUROPEAN COLLEGE OF SPORTS SCIENCE CONGRESS, 2005, Belgrado. Poster Sessions. Belgrado: ECSSC, 2005.

INTERNATIONAL PARALYMPIC COMMITTEE (IPC). Results. Disponível em: http://www.paralympic.org/Sport/Results/. Acesso em: 10 dez. 2009.

THOMAS, J. R.; NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. Porto Alegre: Artmed, 2002.

TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A Construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BALBINO, H. Pedagogia do treinamento: método, procedimentos pedagógicos e as múltiplas competências do técnico nos jogos desportivos coletivos. 2005. Tese (Doutorado em Educação Física) - Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

DUARTE, E.; SANTOS, T. P. Adaptação e inclusão. In: DUARTE, E.; LIMA, S. M. Atividade física para pessoas com necessidades especiais: experiências e intervenções pedagógicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

Downloads

Publicado

2011-09-16

Como Citar

Gomes, M. S. P., Morato, M. P., & Almeida, J. J. G. (2011). Judô paraolímpico: comparações e reflexões sobre as realidades de diferentes seleções femininas. Conexões, 9(2), 85–109. https://doi.org/10.20396/conex.v9i2.8637702

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)