Prefixos relacionais em Jê e Karajá: um estudo histórico-comparativo

Autores

  • Eduardo Rivail Ribeiro University of Chicago

DOI:

https://doi.org/10.20396/liames.v4i1.1427

Palavras-chave:

Makro jê. Lingua Karajá. Línguas tupi. Linguas karib. Relacionais.

Resumo

Este trabalho compara os chamados ‘prefixos relacionais’ em diferentes línguas do tronco Macro-Jê, dando ênfase especial às famílias Jê e Karajá. Prefixos relacionais, que marcam a contigüidade ou nãocontigüidade do núcleo de um sintagma com relação a seu determinante, ocorrem em pelo menos cinco das doze famílias do tronco Macro-Jê: Jê, Boróro, Ofayé, Karirí (Rodrigues 1994) e Karajá (Ribeiro 1996). Tal mecanismo ocorre também em línguas Tupí e Karíb (Rodrigues 1994), o que pode sugerir que sua presença em diversas famílias do tronco Macro-Jê seja antes um fenômeno areal do que evidência de origem genética comum. A comparação preliminar entre Karajá e Jê que apresentamos aqui, no entanto, sugere que prefixos relacionais podem ser reconstruídos para a língua ancestral comum às duas famílias, corroborando, assim, a hipótese acerca da unidade genética de pelo menos parte do tronco.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Eduardo Rivail Ribeiro, University of Chicago

Departamento de Linguística.

Referências

BOSWOOD, J. (1973). Evidências para a inclusão do Aripaktsá no filo Macro-Jê. In Bridgeman, L. (ed.), Série Lingüística 1, p. 67-78. Brasília: SIL.

CAVALCANTE, Marita P. (1987). Fonologia e morfologia do Kaingáng: o dialeto de São Paulo comparado com o do Paraná. Campinas: Unicamp. Tese de Doutorado.

DAVIS, Irvine. (1966). Comparative Jê phonology. Estudos Lingüísticos: Revista Brasileira de Lingüística Teórica e Aplicada, 1:2.10-24.

DAVIS, Irvine. (1968). Some Macro-Jê relationships. IJAL, 34.42-7.

DIXON, Robert & Aikhenvald, Alexandra (editors) (1999). The Amazonia Languages. Cambridge University Press.

DOURADO, Luciana (1990). Classificadores de nomes em Panará. In Seki, Lucy (ed.), Lingüística Indígena e Educação na América Latina, 387-94. Campinas: Editora da Unicamp.

EHRENREICH, Paul (1894). Materialien zur Sprachenkunde Brasiliens, I: die Sprache der Caraya (Goyaz), Zeitschrift für Ethnologie, 26.20-37, 49-60.

GUDSCHINSKY, Sarah C. (1971). Ofaié-Xavánte, a Jê language. In Gudschinsky, S. (ed.), Estudos sôbre Línguas e Culturas Indígenas, 1-16. Brasília: SIL.

HALL, Joan; MCLEOD, Ruth and MITCHELL, Valerie. (1987). Pequeno Dicionario Xavánte-Portugues/Portugues-Xavánte. Brasilia: SIL.

HAM, P., WALLER, H. and KOOPMAN, L. (1979). Aspectos da Língua Apinayé. Brasília: SIL. HENRY, Jules. (1935). A Kaingáng text. IJAL, 8.172-218.

HAM, P. (1948). The Kaingáng language. IJAL, 14.194-204.

KRIEGER, Wanda & Krieger, Guenther (1994). Dicionário Escolar Xerente-Português, Português-Xerente. Rio de Janeiro: Junta das Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.

LAPENDA, Geraldo (1968). Estrutura da Língua Iatê, Falada pelos Índios Fulniôs de Pernambuco. Recife: Universidade Federal de Pernambuco.

MASON, J. A. (1950). The languages of South American Indians. In Steward, Julian H. (ed.), Handbook of South American Indians, Vol. VI, 157-317. Washington: Smithsonian Institution.

MCLEOD, R. and MITCHELL, V. (1977). Aspectos da Língua Xavante. Brasília: SIL.

NICHOLS, Johanna (1988). On alienable and inalienable possession. In Shipley, William (editor), In Honor of Mary Haas: Proceedings from the Haas Festival Conference on Native American Linguistics. Berlin: Mouton de Gruyter.

POPJES, J. & POPJES, J. (1986). Canela-Krahô. In Derbyshire, D. and Pullum, G. (eds.), Handbook of Amazonian Languages, vol. I, 128-99. Berlin: Mouton de Gruyter.

RIBEIRO, Eduardo (2002). Relational prefixes and the ‘Macro-Jê hypothesis.’ Trabalho apresentado no Workshop on Structure and Constituency of the Languages of the Americas (WSCLA 7). Edmonton, Canada: University of Alberta.

RIBEIRO, Eduardo (2002a). On the grammaticalization of an antipassive marker in Karajá and Karirí. Trabalho apresentado no Workshop on American Indigenous Languages (WAIL 2002). Santa Bárbara: Universidade da Califórnia.

RODRIGUES, Aryon. (1962). Comparação das línguas Umutína e Boróro. In Schultz, Informações Etnográficas sobre os Umutina, Revista do Museu Paulista, n. s., 13.100-15.

RODRIGUES, Aryon. (1985). Evidence for Tupi-Carib relationships. In Harriet Klein and Louisa Stark (eds.), South American Indian Languages, Retrospect and Prospect, 371-404. Austin: University of Texas Press.

RODRIGUES, Aryon. (1994). Grammatical Affinity among Tupí, Karíb, and Macro-Jê. Unpublished manuscript. Brasília: Universidade de Brasília.

RODRIGUES, Aryon. (1999). Macro-Jê. In R.M. Dixon and Alexandra Aikhenvald (Eds.), The Amazonian Languages, 165-206. Cambridge: Cambridge University Press.

RODRIGUES, Aryon. (2000). Flexão relacional no tronco linguístico Macro-Jê. Trabalho apresentado no Encontro da ABRALIN/SBPC. Brasília, julho de 2000.

RODRIGUES, Aryon. (2000a). ‘Ge-Pano-Carib’ versus ‘Jê-Tupí-Karib’: sobre relaciones lingüísticas prehistóricas en Sudamérica. In Miranda. Luis (editor), Actas del I Congreso de Lenguas Indígenas de Sudamérica, Tomo I, 95-104. Lima: Universidad Ricardo Palma.

WIESEMANN, Ursula (1971a). Dicionário Kaingáng-Português, Português-Kaingáng. Brasília: SIL.

WIESEMANN, Ursula (1971b). The pronoun systems of some Macro-Jê languages. In Wiesemann, Ursula (ed.), Pronominal Systems, 359-80. Tübingen: Gunther Narr Verlag.

WIESEMANN, Ursula (1978). Os dialetos da língua Kaingáng e o Xokléng. Arquivos de Anatomia e Antropologia do Instituto de Antropologica Professor Souza Marques, 3.199-217.

Downloads

Publicado

2012-03-14

Como Citar

Ribeiro, E. R. (2012). Prefixos relacionais em Jê e Karajá: um estudo histórico-comparativo. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 4(1), 91–101. https://doi.org/10.20396/liames.v4i1.1427

Edição

Seção

Artigos