Indicativo II da família Tupi Guarani: uma questão de modo?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/liames.v17i1.8646480

Palavras-chave:

Línguas Tupi-Guarani. Nominalização. Indicative II. Omnipredicatividade. Sintaxe Histórica.

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar uma nova interpretação para a estrutura tradicionalmente conhecida como Indicativo II, no âmbito da família Tupí-Guaraní, um subgrupo do tronco linguístico Tupí, por meio da análise de quatro línguas da família: Tupinambá, Apyãwa, Guajá e Nheengatú. O estudo apresenta a hipótese de que as expressões adverbiais deslocadas para a primeira posição da sentença ativam um tipo de nominalização do predicado que na oração básica funcionava como o predicado principal. Além disso, apresentamos uma possível interpretação para o desenvolvimento histórico de tais construções e relacionamos suas características a diferentes graus de preservação do padrão tipológico omnipredicativo. Como resultado, observamos que a redução da produtividade da referida construção parece estar associada à perda gradativa das propriedades omnipredicativas das línguas.

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Biografia do Autor

Walkiria Neiva Praça, Universidade de Brasília

Possui graduação em Letras (Português/Inglês) pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (1983), mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (1999) e doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília (2007). É professora adjunta do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) da Universidade de Brasília. Suas áreas de atuação são Teoria e Análise Linguística, Análise e Descrição de Línguas Indígenas (fonologia e morfossintaxe), Tipologia Linguística e Educação Indígena (Formação de Professores Indígenas). Foi professora convidada do Núcleo Takinahaky de Formação de Professores Indígenas da UFG e do Magistério Indígena Tremembé Superior da UFC. Também atuou como professora no ensino médio Tapirapé (projeto Aranow'yão). Atualmente tem estudado o Apyãwa, tradicionalmente conhecido por Tapirapé, e também se dedica aos estudos comparativos entre o Apyãwa, Tupinambá e Nheengatu (Tupi-Guarani), bem como vem desenvolvendo investigações relacionadas ao Português Brasileiro em uma abordagem afro-indígena.

Marina Maria Silva Magalhães, Universidade de Brasília

Possui graduação em Letras Português - Licenciatura pela Universidade de Brasília (1999), mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (2002) e doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília (2007). Atualmente é professor adjunto da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: línguas indígenas, guajá, línguas da família tupí-guaraní, descrição e análise de línguas e estudo comparativo

Aline da Cruz, Universidade Federal de Goiás

Bacharel em Letras (Português e Linguística) pela Universidade de São Paulo (2003), Mestre em Linguística pela Universidade de São Paulo (2005) e Doutora em Linguística pela Vrije Universiteit Amsterdam (2011). É professora adjunta I da Universidade Federal de Goiás desde 2012. Atua nas licenciaturas em Letras e Letras-LIBRAS, no Bacharelado em Linguística, e como colaboradora na Licenciatura em Educação Intercultural. Desenvolve pesquisa linguística, com enfoque na descrição e análise de línguas indígenas (família Tupi-Guarani e língua Nheengatu) e nos estudos do contato linguístico entre Nheengatu e língua Arawak, bem como Nheengatu e Português. É líder do Núcleo de Tipologia Linguística, grupo de pesquisadores que descreve e analisa línguas indígenas sulamericanas.

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Publicado

2017-06-08

Como Citar

Praça, W. N., Magalhães, M. M. S., & Cruz, A. da. (2017). Indicativo II da família Tupi Guarani: uma questão de modo?. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 17(1), 39–58. https://doi.org/10.20396/liames.v17i1.8646480

Edição

Seção

Artigos