Transparência e opacidade nos sistemas de negação sentencial em línguas indígenas brasileiras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/liames.v17i2.8649527

Palavras-chave:

Linguística tipológica. GDF. Transparência. Negação.

Resumo

Este trabalho investiga o sistema de negação de nove línguas indígenas brasileiras a fim de detalhar suas estratégias de negação sentencial. Com base em Hengeveld (2011) e em estudos sobre negação (Dahl 1979; Bernini; Ramat 1996; Miestamo 2007), objetiva-se sistematizar aspectos linguísticos que indiquem a transparência e/ou a opacidade dessas línguas no emprego das diferentes estratégias de negação e correlacionar o seu tipo morfológico às suas estratégias de negação sentencial. Sabendo-se que na GDF a transparência pode ser obtida quando uma unidade de um nível de organização linguística corresponde a uma unidade em outro nível (Leufkens 2015), pretende-se mapear o alinhamento entre os níveis representacional e morfossintático para chegar a uma escala de transparência. Para a coleta e análise de dados, guiam-nos as hipóteses de que os tipos morfológicos podem se correlacionar à transparência e a de que a presença de mais de um tipo de expressão de negação sinaliza opacidade.

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Biografia do Autor

Joceli Catarina Stassi-Sé, Universidade Federal de São Carlos

É licenciada em Letras Português e Inglês pela Universidade Estadual Paulista - IBILCE/UNESP (2000) e é Mestre em Estudos Linguísticos pela mesma universidade (2003). Obteve o título de Doutora em Estudos Linguísticos pelo IBILCE/UNESP (2012). Cursou doutorado sanduíche na Universiteit van Amsterdam (Amsterdam, Holanda), nas áreas de Teoria e Análise Linguística e Aquisição de Segunda Língua. Atualmente é professora adjunta na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), lotada no Departamento de Metodologia de Ensino (DME), onde atua na graduação, nas disciplinas de Didática Geral e de Estágio Supervisionado e orientação para a prática profissional em Língua Inglesa 1 e 2 e no Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID, como coordenadora de área do subprojeto em Letras. Atua na pós-graduação como professor permanente no Programa de Pós Graduação em Linguística PPGL/UFSCar, na disciplina "Tópicos em teoria e descrição funcional de língua falada e escrita" e como professor colaborador do Programa de Mestrado Profissional em Letras - PROFLETRAS - UFMS/CPTL, nas disciplinas de "Elaboração de Projetos e Tecnologia Educacional" e "Gêneros Discursivos/Textuais e Práticas Sociais". Tem interesse na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística e em Linguística Aplicada, atuando nos seguintes temas: gramática discursivo-funcional, perspectiva textual-interativa, aquisição de segunda língua, ensino e aprendizagem de língua estrangeira e de língua materna. E-mail: jocelistassise@hotmail.com

Michel Gustavo Fontes, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

É graduado em Letras (Licenciatura, com habilitação em Português e Espanhol (2009)), Mestre em Estudos Linguísticos (2012) e Doutor em Estudos Linguísticos (2016) pela Universidade Estadual Paulista, câmpus de São José do Rio Preto. É Professor Adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), câmpus de Três Lagoas (CPTL), onde atua, na graduação, junto às disciplinas da área de língua espanhola. Tem experiência na área de Teoria e Análise Linguística, especialmente na linha de descrição funcional de línguas, trabalhando com temas como: distinção léxico/gramática, mudança linguística, ordenação de constituintes e articulação de orações.

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Publicado

2017-11-16

Como Citar

STASSI-SÉ, J. C.; FONTES, M. G. Transparência e opacidade nos sistemas de negação sentencial em línguas indígenas brasileiras. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, Campinas, SP, v. 17, n. 2, p. 283–305, 2017. DOI: 10.20396/liames.v17i2.8649527. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8649527. Acesso em: 25 jun. 2022.

Edição

Seção

Dossiê Estudos sobre a distinção massivo-contável