O papel das relações gramaticais na análise da transparência e da opacidade em línguas índígenas do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/liames.v17i2.8649534

Palavras-chave:

Relações gramaticais. Transparência. Opacidade. Gramática discursivo-funcional. Línguas indígenas do Brasil.

Resumo

Este trabalho tem por objetivo discutir a relevância das relações gramaticais como critério de análise para a definição dos graus de transparência e de opacidade nas diferentes línguas a partir do arcabouço teórico da Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie 2008). Para demonstrar a aplicabilidade do critério e sua adequação ao modelo teórico adotado, analisamos as relações entre os papéis semânticos actor (ativo) e undergoer (inativo) e a função sintática sujeito expressas em uma amostra composta por doze línguas indígenas do Brasil. Em relação a esse critério, os resultados revelam i) a predominância de línguas opacas nas quais a diferença de papel semântico é neutralizada na codificação morfossintática; ii) apenas um caso de língua transparente, que codifica as funções actor e undergoer sempre com marcas diferentes.

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Biografia do Autor

Marize Mattos Dall Aglio Hattnher, Universidade Estadual Paulista

Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado Em Letras (Tradutor) pela Faculdade Ibero Americana (1982), mestrado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989) e doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995). Pós-doutorado na State University of New York (2000-2001) e na University of Amsterdam (2009-2010). Desenvolveu estágio de pesquisa na University of Amsterdam (2013-2014). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. É membro titular do Conselho da Functional Grammar Foundation e membro externo do Research Group on Functional Discourse Grammar da UvA. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: funcionalismo, modalidade e evidencialidade.

George Henrique Nagamura, Universidade Federal de São Carlos

Pós-doutorando em Linguística na Universidade Federal de São Carlos (2017-atual). Possui graduação em Letras com Habilitação em Tradutor pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2007) e Mestrado em Estudos Linguísticos pela UNESP (2011). É doutor em Estudos Linguísticos pela UNESP (2016), tendo realizado o doutorado sanduíche na Universidade de Amsterdam, sob orientação do Prof. Dr. Kees Hengeveld. Como bolsista didático, ministrou a disciplina "Estudos do Texto e do Discurso", no curso de Licenciatura em Letras da UNESP de S. J. do Rio Preto em 2012. Em 2014, foi responsável pela disciplina optativa "Produção de Textos Científicos", também na UNESP de S. J. do Rio Preto. Atua principalmente nos seguintes temas: modalidade, evidencialidade, subjetividade e Gramática Discursivo-Funcional. Atualmente, é membro integrante do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional, sediada na UNESP de São José do Rio Preto, coordenado pela Profa. Dra. Erotilde G. Pezatti.

Beatriz Goaveia Garcia Parra, Universidade Estadual Paulista

Mestra em Estudos Linguísticos pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE) da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (UNESP) e graduada em Licenciatura em Letras com habilitação em português/espanhol pela mesma instituição. Atualmente é aluna de doutorado do programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos do IBILCE/UNESP. Desenvolve pesquisa na área de Análise Linguística de abordagem funcionalista, voltada para o estudo da Língua Espanhola, em especial para as orações concessivas sob o enfoque da Gramática Discursivo-Funcional e das teorias da Gramaticalização. É também membro do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional (GFGP) do IBILCE/UNESP, atuando no projeto "Transparência e opacidade nas línguas indígenas do Brasil".

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Publicado

2017-11-16

Como Citar

HATTNHER, M. M. D. A.; NAGAMURA, G. H.; PARRA, B. G. G. O papel das relações gramaticais na análise da transparência e da opacidade em línguas índígenas do Brasil. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, Campinas, SP, v. 17, n. 2, p. 341–361, 2017. DOI: 10.20396/liames.v17i2.8649534. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8649534. Acesso em: 24 jun. 2022.

Edição

Seção

Dossiê Estudos sobre a distinção massivo-contável