Quantificação em línguas indígenas do Brasil

Palavras-chave: Acordo de número. Concordância de número. Quantificação. Transparência. Gramática discursivo-funcional.

Resumo

Este artigo investiga a expressão da quantificação em um conjunto de quatorze línguas indígenas do Brasil, a fim de identificar, sob a perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie 2008), o estatuto de transparência ou de opacidade quanto ao acordo e à concordância de número, duas expressões da quantificação nas línguas. A análise dos dados mostra que há línguas, como o apinajé, que apresentam apenas acordo de número, ou seja, cópia sintagmática do plural no nível morfossintático, e línguas, como o apurinã e o tariana, que apresentam apenas concordância de número, ou seja, marcação da quantificação por meios lexicais e gramaticais. Consideramos que o que se tem denominado quantificação envolve, na verdade, duas informações distintas, uma definida e outra, indefinida. A principal contribuição deste estudo diz respeito à importância dessa distinção para o estudo da transparência das línguas.

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Biografia do Autor

Aliana Lopes Câmara, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo

Graduada em Letras (2003) com habilitação em Português/Espanhol e com experiência docente na rede pública e privada há onze anos. Em 2006 obteve o título de mestre e em 2015 o de doutora em Estudos Linguísticos pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, câmpus de São José do Rio Preto, com a defesa do trabalho “A oração relativa: interfaces descrição e ensino”;. Tem experiência na área de Análise Linguística, em especial na linha de pesquisa Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita. Em 2008, participou do grupo de estudos e pesquisas sobre Alfabetização, Leitura e Letramento-GEPALLE da FFCLRP-Ribeirão Preto, coordenado pela Profa. Dra. Filomena Elaine Paiva Assolini, e desde 2010 participa do grupo de Pesquisa em Gramática Funcional da UNESP de São José do Rio Preto, coordenado pela Profa. Dra Erotilde Goreti Pezatti. Atualmente é professora de Português/Espanhol no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e está realizando uma pesquisa de Pós-Doutorado intitulada “A expressão de pronome cópia/pronombre de retoma na oração relativa em espanhol à luz do funcionalismo holandês”.

Talita Storti Garcia, Universidade Estadual Paulista
É graduada em Licenciatura em Letras com habilitação em Espanhol (2003), Mestre em Estudos Linguísticos (2006) e Doutora em Estudos Linguísticos (2010) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Realizou estágio de Doutorado Sanduíche na Universidad Complutense de Madrid, Espanha, no período de fevereiro a julho de 2009. Atua como professora Assistente Doutora do Departamento de Letras Modernas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/IBILCE). É pesquisadora na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, com interesse na Descrição Funcional de Língua Falada e Escrita (português e espanhol).
Norma Barbosa Novaes-Marques, Universidade Estadual Paulista

Possui graduação em Letras - Habilitação em Francês e Português pela UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho- São José do Rio Preto (1996), Especialização (1998), Mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/ São José do Rio Preto (2001) e Doutorado em Estudos Linguísticos pela UNESP/SJ Rio Preto (2014). É membro do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional do Português da UNESP/SJ Rio Preto. Atua como docente substituta na UNESP/Rio Preto. Atua como docente na UNIESP/FJB, na FAECA e no Programa Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, do FNDE. Tem experiência administrativa (coordenação de cursos) e d ocente na área de Linguística e Língua Portuguesa, na Educação Básica, no Ensino Superior e na Pós-graduação, com atuação nos seguintes temas: análise linguística, funcionalismo. 

Gabriela Oliveira-Codinhoto, Universidade Federal do Acre
Tem graduação em Letras (2008) pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", câmpus de São José do Rio Preto, e mestrado (2011) e doutorado (2016) em Estudos Linguísticos, ambos pela mesma instituição. Atualmente é professora do Centro de Educação, Letras e Artes da Universidade Federal do Acre - UFAC. Publicou o livro "Estratégias de relativização e construções alternativas nas línguas indígenas do Brasil", em parceria com Roberto Gomes Camacho pela Editora Cultura Acadêmica da UNESP, em 2013. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Gramática Funcional, atuando principalmente nos seguintes temas: Oração Relativa, Subordinação, Aquisição de Escrita, Línguas Indígenas Brasileiras e Tipologia Linguística.
Erotilde Goreti Pezatti, Universidade Estadual Paulista

Licenciada em Letras pela UNESP/SJRP, mestre em Linguística pela PUC-Campinas, doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Ara. Concluiu, em 2005, pós-doutorado pela Universidade de Amsterdã e, em 2012, pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa, ambos em Gramática Discursivo-Funcional. Professora Assistente Doutor da UNESP/SJRP atua na Graduação e na Pós-Graduação, na linha de pesquisa Descrição e Análise Funcional de Língua Falada e Escrita, desenvolvendo temas relacionados à ordenação de constituintes na sentença, articulação de orações, estrutura argumental e tipologia linguística. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, desde 1994, e líder do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional (GPGF), cadastrado no CNPq desde 2002. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UNESP/SJRP e Coordenadora da área de Linguística da FAPESP.

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Publicado
2017-11-16
Como Citar
Câmara, A. L., Garcia, T. S., Novaes-Marques, N. B., Oliveira-Codinhoto, G., & Pezatti, E. G. (2017). Quantificação em línguas indígenas do Brasil. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 17(2), 241-262. https://doi.org/10.20396/liames.v17i2.8649541
Seção
Dossiê

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