Resumo
O presente trabalho mostra que a evidência lexical em favor de uma relação genética entre as línguas Múra-Pirahã e Matanawi é mais forte do que o reconhecido até o momento. A investigação parte de uma consideração de todas as fontes acerca do Múra-Pirahã, e, de maneira mais crucial, incorpora informação relevante para a avaliação das diferenças formais nos conjuntos de cognatos propostos. Discute-se aqui um grupo de comparações lexicais que apresentam similaridades de forma e de significado, sendo propostas, ainda, explicações para os casos em que há um resíduo formal não incluído nas comparações. Algumas correspondências segmentais sobrepostas, que sugerem cisões diacrônicas foneticamente condicionadas, são também discutidas. Ao fim, embora a hipótese de parentesco entre o Múra-Pirahã e o Matanawí possa agora ser considerada mais forte, a limitada documentação existente a respeito do Matanawí coloca um obstáculo definitivo para uma validação mais convincente da hipótese em questão.
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