A institucionalização do curso de licenciatura em Letras-Libras no Brasil

língua, sujeitos e sentidos

Autores

  • Maraisa Lopes Universidade Federal do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.20396/lil.v42i42.8661564

Palavras-chave:

Curso de licenciatura em Letras-Libras, Processo de institucionalização, Produção de sentidos

Resumo

Este artigo tem por objetivo analisar, a partir do domínio da História das Ideias Linguísticas, sob uma perspectiva materialista, articulada com os dispositivos teórico-analíticos da análise de discurso da linha proposta por Michel Pêcheux e Eni Orlandi, o processo de institucionalização do curso de Licenciatura em LetrasLibras no Brasil, pensando como tem se dado a produção de conhecimento determinada historicamente por condições materiais que envolvem o político, o ideológico e o simbólico, nesse espaço institucionalizado. Além disso, busca-se compreender que lugar tem cabido aos sujeitos surdos, no espaço da Ciência, em meio a políticas afirmativas que instrumentalizam as relações próprias de uma divisão social do acesso à universidade. Com base em nossa análise, compreendemos que, para além de se pensar o curso de Letras-Libras como o espaço de produção de conhecimento sobre a língua de sinais, precisamos pensá-lo em sua discursividade, compreendendo o modo como sua materialização produz e estabiliza sentidos.

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Biografia do Autor

Maraisa Lopes, Universidade Federal do Piauí

Doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas. Docente da Universidade Federal do Piauí.

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Publicado

2020-11-06

Como Citar

LOPES, M. A institucionalização do curso de licenciatura em Letras-Libras no Brasil: língua, sujeitos e sentidos. Línguas e Instrumentos Linguísticos, Campinas, SP, v. 42, n. 42, 2020. DOI: 10.20396/lil.v42i42.8661564. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/lil/article/view/8661564. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Artigo