Said Ali e a gente na história da língua e da gramatização brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/lil.v25i49.8669272

Palavras-chave:

Said Ali, A gente, Colonização, Descolonização, Indeterminação - Determinação

Resumo

De uma perspectiva discursiva da História das Ideias Linguísticas, analisamos os modos pelos quais a pronominalização do a gente comparece como uma questão que é elaborada e reelaborada em diferentes produções de Said Ali. Buscamos mostrar de que maneiras sujeito e língua vão sendo significados/divididos quando o autor reflete sobre o a gente, ao mesmo tempo em que procuramos observar como ele lida com o problema da indeterminação e da determinação do pronome. Com essas análises, pudemos tecer algumas reflexões sobre as condições históricas específicas do funcionamento pronominal do a gente no Brasil articuladas à produção de um saber sobre esse funcionamento, considerando as relações de dominação e resistência constitutivas da nossa história de colonização e de descolonização.

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Biografia do Autor

Ana Cláudia Fernandes Ferreira, Universidade Estadual de Campinas

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. Docente do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. 

Michel Marques de Faria, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. 

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Publicado

2022-07-06

Como Citar

FERREIRA, A. C. F.; FARIA, M. M. de. Said Ali e a gente na história da língua e da gramatização brasileira. Línguas e Instrumentos Línguísticos, Campinas, SP, v. 25, n. 49, p. 246–281, 2022. DOI: 10.20396/lil.v25i49.8669272. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/lil/article/view/8669272. Acesso em: 6 out. 2022.

Edição

Seção

Dossiê